O show de horrores das sessões do STF continuará até o restabelecimento da ordem institucional. O que pode não acontecer. Moraes será investigado? O contrato do escritório de sua esposa com o banqueiro Daniel Vorcaro — para mim, bandido — e as relações agora expostas estão à vista de todos. Se nada for investigado e eventuais responsabilidades não forem apuradas, o STF estará deslegitimado.
Alcolumbre e Motta podem deixar as presidências do Senado e da Câmara. Se a oposição vencer no dia 3 de outubro, estarão fora das presidências em 2027. Esgotaram a paciência de parcela da população.

Lula tem dado tiros no próprio pé ao anunciar apoio a Moraes e não criticar os desmandos relacionados ao Banco Master. Atua politicamente em apoio à bancada governista do STF. Ao mesmo tempo, enfrenta o desgaste provocado pelas investigações sobre a máfia do INSS e suas conexões políticas e sindicais.
Se Lula for reeleito, a composição do STF poderá mudar profundamente nos próximos anos. A questão é particularmente relevante diante dos ministros indicados por governos petistas e, especialmente, pelo próprio Lula: Cristiano Zanin, seu ex-advogado na Lava Jato; Dias Toffoli, ex-advogado do PT; Flávio Dino, seu ex-ministro; e Alexandre de Moraes, cuja atuação hoje converge, em diversos episódios, com interesses do governo.
O risco político é evidente: a transformação progressiva do STF em um braço jurídico de um grupo político. É o caminho já observado em regimes nos quais o controle ou a captura da corte superior de Justiça se transforma em instrumento de manutenção do poder. A Venezuela de Chávez é um exemplo que merece ser estudado. Se esse processo se consolidar no Brasil, estaremos presos em um looping institucional danoso.
Ao eleitor cabe estar esclarecido sobre as consequências de suas escolhas. Se optar pela manutenção da ordem vigente, deverá saber que ela poderá prolongar por muitos anos a atual configuração política e institucional. A canga poderá continuar sobre o lombo da oposição e das futuras vítimas, sob o manto de uma Justiça que, em vez de limitar o poder, corre o risco de servir a ele.
É o inverno que já vivemos, agora com muitos graus a menos.
O que resta, para quem pretende mudar essa configuração política, é buscar maioria da oposição no Senado e a substituição do atual comando do Executivo federal pelo voto. Em poucas semanas, teremos um mapa muito mais claro do futuro do Brasil: para os próximos quatro anos no Executivo e, pelas indicações ao Supremo, potencialmente para décadas no Judiciário.












