“Você não vivencia o mundo como ele é. Você o vivencia a partir de quem você é.”
Seja esta frase atribuída ao Talmud – Texto Sagrado do Judaísmo —, ou a Anaïs Nin, a renomada escritora francesa amplamente associada à popularização dessa máxima no século XX em seus ensaios e diários literários, ou a Immanuel Kant, o filósofo alemão que estruturou toda a sua vertente filosófica sob o exato princípio de que a mente humana possui estruturas e categorias próprias que moldam e constroem a realidade que experimentamos, atualmente este conceito é muito utilizado em neurociência e psicologia cognitiva, visando exemplificar como nossos traumas, memórias, vieses e expectativas moldam ativamente a nossa percepção biológica e emocional do mundo ao redor.
Esta é uma verdade da qual não podemos nos esquivar e hoje, neste momento histórico pelo qual vive o povo brasileiro, nada mais real, nada mais verdadeiro.
Questiono-me a todo momento o que leva algumas pessoas a enxergar a realidade de forma tão deturpada e ininteligível. Na verdade, a nossa realidade é a que acreditamos ser aquela correspondente aos nossos valores, e não entendemos como pessoas inequivocamente inteligentes, dotadas de uma cultura sólida e respeitável sucesso profissional, enxergam o mundo de forma tão relativa.
Estaria eu, e grande parte do povo brasileiro, equivocados frente a nossos valores e opções políticas? Estaríamos, todos, avaliando os políticos por uma régua exagerada, excluindo-os por serem corruptos, defensores da cultura woke, do aborto, da identidade de gênero, do feminismo, dentre tantos outros “ismos”? Tudo aquilo que é contrário aos valores da família, do trabalho, da Pátria, de Deus?
Difícil entender como pessoas dotadas de conhecimento científico, filosófico e sociológico profundos não conseguem “enxergar” a realidade que se apresenta aos nossos olhos, frente aos desvios e desmandos das instituições que “gritam” e não são assimilados por ouvidos moucos.
Concordo com a neurociência quando ela afirma que os sinais são emitidos e a percepção é limitada pelo filtro do cérebro e, quando olhamos para a percepção do outro e não entendemos o porquê de o outro agir daquela forma, nos questionamos: como o outro não consegue perceber a realidade que eu estou percebendo?
Não há dúvida de que a percepção, a memória e as experiências são determinantes para a informação que chegará à consciência de cada um. Em verdade, é difícil mudar uma opinião já estabelecida, pois a pessoa recebe as informações que vêm de fora e corrige apenas os erros que acha serem relevantes. Trata-se de hipóteses cerebrais que não são necessariamente a realidade, e, independentemente da realidade, cada um tem diferentes percepções sobre ela, o que torna a realidade relativa. Vivemos uma simulação criada pelo nosso próprio cérebro.
Corroboro o pensamento de Elielton Dornelas quando questiona: o que é Cultura? O que é Arte? O que é Racismo? O que é uma manifestação democrática? O que é golpe? Por que esses conceitos são percebidos de forma totalmente diferente, dependendo da ideologia professada?
Em sua reflexão, Dornelas reportou-se a Leon Festinger (1919–1989), um dos mais influentes psicólogos sociais americanos do século XX, amplamente reconhecido por revolucionar o campo da psicologia com o desenvolvimento da Teoria da Dissonância Cognitiva, que ajudou a romper com o domínio do behaviorismo radical e abriu caminho para a era da psicologia cognitiva moderna. Dele é o termo “dissonância cognitiva”, que ocorre no momento em que a pessoa sofre o conflito psicológico entre o que ela pensa e a realidade que se apresenta.
Assim, o indivíduo cuja mente é progressista busca resolver este problema manipulando a realidade, adequando-a ao seu pensamento, adequando-a à sua perspectiva, negando os fatos que se apresentam em relação ao comportamento dos seus políticos de estimação. Não acreditam no que se divulga sobre os desmandos, os desvios e a corrupção perpetrados pelos seus políticos. Estes erram, são denunciados, e as pessoas ainda continuam defendendo-os.
Sim, as pessoas escolhem um político de estimação e buscam justificar suas escolhas em argumentos, mesmo que falsos. Escolhem símbolos, e não políticos.
Os símbolos não podem ser criticados, e aqueles que os escolhem se sentem pessoalmente atacados quando se lhes apresenta a realidade dos fatos. Isto se deve à memória seletiva, à percepção cognitiva do que querem receber em suas mentes. As informações são abundantes, mas não são aceitas por aqueles que defendem símbolos. Estes passam a viver a dissonância cognitiva e são incapazes de analisar os fatos que são apresentados. Ao contrário, vivem de narrativas que querem assimilar como verdadeiras, perdendo totalmente a capacidade de análise crítica imparcial.
Os defensores do atual Presidente podem ter conhecimento de que no atual governo federal a economia vai mal, que os gastos pessoais são estratosféricos, que a dívida pública está impagável, que há comprovado envolvimento de membros dos Poderes da República com corrupção ligada ao INSS, ao Banco Master, dentre vários outros desvios, que o atual Presidente apoia os maiores ditadores do mundo, que defende grupos já classificados como terroristas, e, no entanto, acreditam que ele é defensor da democracia. Uma verdadeira deturpação da realidade.
E o mais interessante é que no reduto da alta classe social e cultural, principalmente entre sociólogos, artistas — estes beneficiados pela Lei Rouanet —, encontramos a maior correspondência de seguidores da cultura dita “democrata” e progressista. Por sua vez, aqueles que têm sólidos valores familiares, que trabalham diuturnamente e que querem prosperar na vida, principalmente os hoje denominados, pela esquerda, de “pobres da direita”, conseguem perceber a realidade como ela verdadeiramente é, sentem a escassez que a cada dia se intensifica para o suprimento de suas necessidades básicas. Estes não têm políticos de estimação, estes conseguem perceber o que é melhor para a sua família, o seu trabalho e o seu futuro. Estes querem prosperar e não viver eternamente às custas do Bolsa Família, dentre outras existentes.
Tenho certeza, sinto no fundo da minha alma que estamos passando por uma transição em que mesmo pessoas de bem que não conseguem “enxergar” a realidade como ela é — a realidade dos valores familiares e sociais sólidos, da Paz, da cooperação, da solidariedade, do respeito mútuo, da honestidade, da cultura, do Bom, do Belo e do Justo —, serão beneficiadas pelo futuro promissor que nos aguarda.
Muitas profecias sobre este futuro auspicioso foram lançadas por muitos, como Billy Graham (1918-2018), um dos mais influentes religiosos americanos do Séc. XX, que afirmou: “o Brasil será o celeiro espiritual do mundo”; e Rabindranath Tagore (1861-1941), poeta, filósofo, músico, pintor e escritor indiano, o primeiro não europeu a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1913, que profetizou: “o Brasil será transformado numa prodigiosa força de bondade, berço da sabedoria e amor à humanidade, dons naturais de todos os homens evoluídos do Brasil”.
Rogo para que muitos daqueles que, sem ter consciência, lutam para o declínio do nosso País possam, como afirmado acima, despertar e usufruir de toda a prosperidade que nos aguarda, como cidadãos brasileiros. O futuro será grandioso!
Eu confio!

Elizabeth Leão
Juíza Federal Aposentada, Servidora da Luz, Avó, Pianista e Escritora












