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Como Lula e Flávio deverão se comportar no debate da Globo – por Reinaldo Polito

Lula e Flávio Bolsonaro estão acertados para se encontrar mais uma vez hoje no debate programado pela Globo. Como as pesquisas são quase todas favoráveis ao opositor, será a última oportunidade para o presidente virar o jogo. Uma missão hercúlea, já que ele dificilmente conseguirá sensibilizar os eleitores que ainda não decidiram em quem votar e aqueles que não têm intenção de comparecer às urnas.

Para aumentar sua votação e vencer, precisaria ir muito bem, mas muito bem mesmo nesse embate de hoje à noite. Só assim poderia sonhar com os votos dos indecisos, de parte daqueles que se abstiveram no primeiro turno e daqueles que votaram nos candidatos derrotados. Tudo indica que essa tarefa é inexequível.

Bom de palanque, mas fraco no confronto

Além das dificuldades impostas pelas circunstâncias naturais de uma campanha que se encerra a dois dias do pleito, é preciso levar em conta que Lula é ruinzinho de debate e confirmou sua inabilidade para duelar no encontro da Band. Perdeu a disputa para o inexperiente Flávio. Quem acompanhou sua carreira não se surpreendeu.

Embora sempre tenha sido considerado um bom orador, um agitador de massas, um líder eloquente, nunca foi lá essas coisas nos debates. Vale lembrar alguns dos mais marcantes em que ele não levou a melhor.

Pode ter perdido por causa do debate

Em 1989, mesmo tendo experiência em embates como sindicalista, não conseguiu se impor diante de Collor. Chegou a equilibrar as ações no primeiro encontro, mas foi derrotado no segundo. Como naquela oportunidade os eleitores estavam divididos, o seu fraco desempenho no confronto talvez tenha sido um dos motivos da sua derrota nas urnas.

E foi com essa fragilidade como debatedor que enfrentou seus adversários ao longo da carreira. Seria possível dizer que Lula venceu as eleições apesar da sua atuação nos debates. Depois deles, seus seguidores até cantavam vitória, mas tudo não passou de oba-oba para manter o moral da tropa.

Seu vice é melhor que ele

Por exemplo, em 2006, foi tragado por Alckmin. Terminado o confronto diante das câmeras, seus correligionários saíram comemorando nas entrevistas e manifestações. Seu adversário, porém, estava praticamente sozinho. Por isso, embora tivesse se saído melhor, Alckmin deu a impressão de ter sido derrotado, devido aos comentários empolgados dos seguidores de Lula.

A popularidade de Lula era tão avassaladora que, qualquer que fosse o resultado daquele duelo, não perderia um eleitor sequer. Tanto que foi eleito com 60,83% dos votos válidos, apesar das acusações de malfeitos no mensalão.

Não superou o pai nem o filho nos debates

Em 2022, era quase unânime a opinião de que Bolsonaro não sabia nada e seria esmagado por Lula. Esse massacre não aconteceu. Lula ganhou a eleição por margem apertadíssima, mas nada que possa ter sido creditado à sua participação no debate. Quem assistiu ao encontro com espírito desarmado, sem ser contaminado pelo viés ideológico, constatou que o então presidente saiu engrandecido daquela disputa.

No debate com Flávio, não foi diferente. Mesmo alguns comentaristas simpáticos a Lula reconheceram que ele estava desestabilizado, nervoso e sem condições de formular respostas lógicas e coerentes. O presidente precisava angariar votos para melhorar sua posição nas pesquisas, mas esse intento foi frustrado.

Fazendo de tudo para não ir

Agora, tentou arrumar uma desculpa para fugir do debate da Globo. Disse que se sentia incomodado em debater com um miliciano que não sabe o que quer, a não ser mentir. Para participar, impôs uma condição sem pé nem cabeça: que Flávio abrisse o sigilo de suas contas e de seus dispositivos telemáticos, oferecendo em troca os próprios sigilos. Imaginou, provavelmente, que o adversário não revidaria.

Flávio não recuou. Confirmou que vai ao debate e que abriria mão de seus sigilos se Lula fizesse o mesmo. Mas não apenas do telefone e das contas pessoais de Lula, pois sabe que o adversário não tem celular e que, se desviou recursos, jamais teria depositado em sua conta.

Uma lista sem fim

Flávio fez 19 exigências. Entre elas, que Lula liberasse a quebra do sigilo telefônico de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, seu ex-chefe de gabinete, além dos dados do Instituto Lula, do cartão corporativo com os gastos de Janja e da lista de quem entrou e saiu do Palácio da Alvorada para visitá-los, hoje sob sigilo. Se alguém acredita que isso vai levar a algum lugar, deve estar equivocado. Nem tempo haverá para que esses dados sejam mostrados antes da eleição.

A não ser que ocorra uma hecatombe de proporções inimagináveis, o quadro eleitoral não se reverterá. E tudo leva a crer que essa explosão não virá do debate desta noite. Em poucas horas poderemos confirmar.


Reinaldo Polito é Mestre em Ciências da Comunicação e professor de oratória nos cursos de pós-graduação em Marketing Político, Gestão Corporativa e Gestão de Comunicação e Marketing na ECA-USP. Presidente Emérito da Academia Paulista de Educação. Escreveu 34 livros com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos em 39 países. Siga no Instagram @polito, pelo facebook.com/reinaldopolito ou pergunte no contatos@polito.com.br

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