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À flor da pele. E você? – por Marli Gonçalves

Já vivi o bastante para conseguir controles sobre muitas coisas. Quase 50 anos de jornalismo vendo, descobrindo, escrevendo e registrando de um tudo, de bom e de ruim. Convivendo com pessoas as mais variadas. Lutando pela liberdade, a de todos e as individuais. Mas não lembro de período tão estranho como o atual.

Me sinto à flor da pele – a melhor descrição que encontro para a ansiedade, a palpitação em diversos momentos dos dias, a alternância de humor entre alegria e tristeza. A prontidão para não aceitar ou levar para casa nenhuma forma de intimidação vindas do lado que representa todo o horror, o retrocesso, o perigo – e elas têm sido bem frequentes, nas ruas e redes sociais. Ameaças que inclusive comprovam o alerta necessário que metade deste país já tomou tenência e nos últimos dias se apresenta na batalha pela virada, pela conquista, de forma extraordinária nas ruas, redes sociais, nos apoios corajosos vindos abertamente de todas as classes sociais, atividades, gente famosa mostrando a cara sem medo, se posicionando. Ao lado dos petistas, sem ser, mesmo conhecedores e críticos dos problemas do governo atual, que pretendemos seja mantido. É a opção do momento, contra o filhote daquele que tanto já nos fez sofrer, e que pode ser ainda mais perigoso do que o pai, visto o que é, fala, propõe, junta ao seu lado, sua desfaçatez.

Há um outro aspecto que surgiu essa semana, após o primeiro debate na Band, onde mais uma vez todas as pessoas sensíveis puderam claramente notar a escuridão em torno do adversário na forma de uma sombra maligna que se colocou o tempo inteiro, e desrespeitosamente, às costas de Lula, como um encosto. Um espírito ruim, zombeteiro. Além da molecagem irresponsável que demonstrou nos ataques. Não sei você, mas eu não suportaria dois minutos essa situação. Odeio que fiquem soprando no meu cangote.

Não foi por menos que tantas pessoas reportaram claramente terem, inclusive, ficado doentes, sentindo-se esgotados, naquela noite e no dia seguinte. Me incluo entre elas. Uma sensação quase indescritível, e muito além de qualquer posicionamento político. Trato aqui de pessoas. De visão. De intuição. De perceber o olhar raivoso sempre em busca de desestabilização daquele senhor com quem debatia e que mal ou bem é há décadas um líder político respeitado e conhecido em todo o mundo. Com uma história bem longe e diversa de toda a familícia. Dos atos e pensamentos dos “Filhos do Capitão”, traidores fantasiados de patriotas.

Antes desse segundo turno, finalmente, vale destacar o que vem ocorrendo no meio digital, e que tanto atordoou inclusive o TSE, o Tribunal Eleitoral, e o suspeito Kássio com K, seu atual presidente. Em especial, o tal “Exército do Lula”, nesse momento já com mais de nove milhões de participantes regidos e “comandados” pelo deputado federal André Janones após o primeiro turno, e em poucos dias. Impressionante. Inclusive pela qualidade dos comandados cumprindo diariamente as ordens dali emanadas. E o melhor, com alegria, humor, criatividade. Já em si uma revolução, um grupo espetacular de resistência e atenção. Aconteça o que acontecer, a eleição não terminará no domingo.

Vote. Vá com fé. Pegue sua capa de chuva, seu documento com foto. Se enfeite. Apresente-se. “Salve sua banda!”. Axé.


MARLI GONÇALVES – Jornalista, cronista, consultora de comunicação, com passagem por alguns dos principais veículos, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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