Em um único dia, é comum atravessarmos inúmeras pontes e viadutos durante nossos deslocamentos pela cidade de São Paulo. Para que cada trajeto entre o ponto de partida e o destino ocorra com segurança, é fundamental que essas estruturas estejam em condições adequadas de uso.
Com esse objetivo, a Prefeitura de São Paulo mantém, desde 2021, o maior Programa de Recuperação de Pontes e Viadutos da história da cidade. Com mais de R$ 3 bilhões em investimentos, a iniciativa consolidou uma política permanente de inspeções, monitoramento e manutenção preventiva, tornando-se um marco na gestão da infraestrutura urbana do município e integrando o Plano de Metas da gestão do Prefeito Ricardo Nunes.
Essa transformação representa uma mudança de paradigma. Antes da implantação do programa, algumas estruturas permaneceram por mais de 80 anos sem receber a manutenção adequada, refletindo um modelo de gestão historicamente mais voltado à construção de novas obras do que à preservação e à manutenção preventiva da infraestrutura existente. Como consequência, muitas dessas estruturas tiveram sua vida útil reduzida e passaram a demandar intervenções corretivas de maior complexidade e custo, significativamente superiores aos investimentos necessários para uma manutenção contínua e preventiva.
A necessidade dessa mudança ficou evidente em 15 de novembro de 2018, quando o Viaduto T5, localizado na pista expressa da Marginal Pinheiros, sofreu um recalque de aproximadamente dois metros em decorrência da ruptura de seus aparelhos de apoio, provocando o esmagamento do concreto. O incidente danificou veículos que transitavam pelo local, mas não deixou vítimas fatais nem feridos graves.

Após a ocorrência, o viaduto passou por obras emergenciais e, ao longo dos três anos seguintes, recebeu intervenções complementares, incluindo a recuperação de pilares e paredes de apoio, a reconstrução das barreiras laterais de concreto e o tratamento de fissuras. O episódio reforçou a necessidade de estruturar uma política permanente de inspeção, monitoramento e manutenção das Obras de Arte Especiais (OAEs) do município.
Foi nesse contexto que a Prefeitura instituiu o Programa de Recuperação de Pontes e Viadutos, estabelecendo um modelo contínuo de gestão da infraestrutura. Além da execução de obras de recuperação e reforço estrutural, o programa passou a incorporar procedimentos sistemáticos de inspeção, monitoramento e planejamento das intervenções.
Como parte dessa estratégia, foi desenvolvido o SISGOA – Sistema de Gestão das Obras de Arte Especiais, ferramenta criada para identificar as necessidades de manutenção e recuperação das estruturas e subsidiar o planejamento das ações do poder público.
O sistema de gestão reúne informações sobre as características físicas, estruturais e funcionais das OAEs, permitindo o acompanhamento contínuo de suas condições. Atualmente, o SISGOA conta com 1.278 unidades estruturais cadastradas e constitui uma base de dados estratégica para o planejamento, o monitoramento e a tomada de decisões, utilizando critérios de priorização validados pelas inspeções e verificações realizadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) e pela SPObras.
A implantação do Programa de Recuperação de Pontes e Viadutos estabeleceu um ciclo permanente de gestão das estruturas, fundamentado em diferentes modalidades de inspeção, que orientam o monitoramento, a manutenção e a recuperação ao longo de sua vida útil.
As modalidades de inspeção compreendem:
- Inspeção anual: destinada ao acompanhamento contínuo do estado de conservação das estruturas, subsidiando o planejamento e a execução das ações de manutenção preventiva.
- Inspeção especial: avaliação detalhada e aprofundada da estrutura, destinada a subsidiar a elaboração de projetos de recuperação e/ou reforço estrutural.
- Inspeção inicial: realizada para formalizar a inclusão da estrutura no programa, contemplando sua caracterização técnica ou a verificação das condições após intervenções de recuperação e/ou reforço.
- Inspeção extraordinária: executada em decorrência de eventos atípicos, acidentes ou sinistros que possam comprometer a integridade estrutural.
As inspeções resultam na atribuição de uma nota de classificação, variando de 0 a 5, que define as providências a serem adotadas.
- Nota 0: requer o acionamento imediato das equipes da SIURB e da SPObras para validação da condição estrutural e adoção de medidas emergenciais de mitigação de riscos.
- Notas 1 e 2: indicam a necessidade de realização de inspeção especial, seguida da elaboração de projetos e da execução de obras de recuperação e/ou reforço estrutural.
- Notas 3 e 4: direcionam intervenções de caráter funcional, voltadas à reabilitação da estrutura, à correção de manifestações patológicas e à preservação de seu desempenho.
- Nota 5: indica que a estrutura se encontra em condições satisfatórias, permanecendo sob monitoramento periódico por meio das inspeções anuais.
Além das inspeções rotineiras, o ciclo de gestão prevê a realização de inspeções especiais com periodicidade de cinco anos, podendo esse intervalo ser ampliado para até oito anos, conforme os critérios estabelecidos pela ABNT NBR 9452:2023. A necessidade de verificação da capacidade estrutural e da adequação ao carregamento TB-45 é definida em função da importância de cada OAE para a malha viária do Município.
Após a definição das estruturas que serão submetidas à inspeção especial, o processo é desenvolvido em etapas sucessivas, compreendendo:
- Levantamentos de campo: execução de levantamentos topográficos detalhados, registro fotográfico, varredura por laser scan, mapeamento de anomalias e realização de ensaios de campo.
- Análise estrutural: desenvolvimento de modelos tridimensionais e analíticos da estrutura, aplicação das cargas atuantes, verificação dos esforços e deformações e avaliação da conformidade com as normas técnicas vigentes.
- Resultados e diagnóstico: elaboração dos relatórios de inspeção, patologia, análise estrutural e terapia, classificação da estrutura conforme a ABNT NBR 9452:2023 e definição das soluções de recuperação e/ou reforço estrutural.
Desde 2021, o Programa de Recuperação de Pontes e Viadutos já concluiu a recuperação de 304 estruturas. Atualmente, outras 73 estão em obras. Além disso, já foram realizadas mais de 2.300 inspeções, enquanto outras 2.100 estão programadas.
Enquanto o programa garante, por meio de intervenções físicas, a preservação da segurança estrutural, da funcionalidade e da vida útil das estruturas que compõem a malha viária da cidade, a Prefeitura de São Paulo também investe em tecnologia para ampliar a prevenção, o monitoramento e a gestão desses ativos.
Implantado em 2023, o Programa de Monitoramento Remoto de Pontes e Viadutos opera de forma ininterrupta, 24 horas por dia, identificando anomalias em tempo real por meio de uma Central de Visão Computacional, acompanhada por uma equipe técnica especializada. O serviço reúne um conjunto de tecnologias voltadas ao acompanhamento das OAEs, permitindo detectar e emitir alertas sobre falhas estruturais, riscos de colapso, impactos provocados por caminhões e ocorrências de incêndio.
Atualmente, o sistema monitora 945 unidades estruturais por meio de uma infraestrutura tecnológica composta por 428 câmeras espalhadas por 295 locais de São Paulo, imagens de satélite capazes de identificar movimentações da superfície, drones para detectar deformações, sensores de vibração instalados nas próprias estruturas, radares, inteligência artificial para o monitoramento de portais de notícias e redes sociais, além de modelagem BIM (representações virtuais das pontes e viadutos) e scanners para a geração de modelos tridimensionais.
Esses recursos fornecem dados em tempo real, apoiando as equipes de engenharia na avaliação de ocorrências, na tomada de decisão e no planejamento das ações de manutenção, conservação e recuperação das estruturas.
Durante as atividades de inspeção e avaliação das ocorrências, as equipes de engenharia utilizam um aplicativo de mobilidade operacional para registrar as anomalias identificadas, com a inclusão de fotografias e vídeos. Essas informações alimentam um banco de dados que consolida o histórico das condições das estruturas, permitindo o acompanhamento de sua evolução ao longo do tempo e subsidiando o planejamento das intervenções necessárias.
Entre as ocorrências detectadas pela Central de Monitoramento Remoto de Pontes e Viadutos por meio do videomonitoramento, destaca-se o incêndio em um carro alegórico estacionado sob o Viaduto Pacheco Chaves, localizado na zona leste da cidade, em julho de 2025. Após a identificação da ocorrência, a equipe de engenharia da SIURB deslocou-se ao local e, após realizar vistoria técnica, recomendou a remoção do veículo e a desocupação da área situada sob a estrutura, como medida preventiva para garantir a segurança e preservar a integridade da obra de arte especial.
Outra ocorrência de incêndio foi identificada por meio do monitoramento de notícias, em uma ocupação irregular localizada sob o Viaduto Condessa de São Joaquim, na região central de São Paulo, em setembro de 2025. Nesse caso, a equipe de engenharia recomendou a realização de testes e ensaios para avaliar as condições da estrutura e verificar a existência de eventuais danos decorrentes do incêndio.
O Programa de Monitoramento Remoto de Pontes e Viadutos tem se consolidado como referência na gestão dos ativos urbanos de São Paulo, despertando o interesse de órgãos federais e de diversas cidades brasileiras e do exterior. Em reconhecimento aos resultados alcançados, o programa recebeu o prêmio global de Cidade Inteligente na categoria Infraestrutura Urbana durante o Hexagon Live 2025, um dos principais eventos mundiais de tecnologia, realizado em Las Vegas, nos Estados Unidos.
Em conjunto, os programas da Prefeitura de São Paulo voltados à recuperação e ao monitoramento remoto de pontes e viadutos consolidam a cidade, sob a gestão do Prefeito Ricardo Nunes, como referência mundial em segurança, inovação e gestão da infraestrutura de mobilidade urbana, promovendo mais eficiência na aplicação de recursos públicos.

O Engenheiro Civil Marcos Monteiro é Secretário Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo.












