Talvez a crise contemporânea da esquerda não possa mais ser compreendida apenas como um problema de conjuntura, eleitoral ou político-ideológico, muito menos de comunicação como imaginam os de menor imaginação.
O mundo que deu origem às grandes tradições políticas do século XX está desaparecendo diante da revolução digital, da Inteligência Artificial, das plataformas e da sociedade “figital”, onde o físico e o digital se fundem cada vez mais.
As antigas relações sociais e de classe construídas na sociedade industrial vêm sendo fragmentadas por um novo mundo do trabalho marcado pela hiperconectividade, pela individualização, pela economia de dados e por vínculos cada vez mais fluidos e distintos. O trabalhador da fábrica organizada cede lugar ao indivíduo, empreendedor, um isolado das plataformas, dos algorítmos e da competição permanente.
“Tudo que é sólido se desmancha no ar” não é só um belo verso poético, mas um realidade de tempos de profundas mudanças como o que a humanidade vivencia neste momento da história.
Nesse novo cenário, talvez não baste – ou quem sabe ser uma perda de tempo – à esquerda repetir categorias, linguagens e modelos concebidos para a sociedade industrial do século passado.
O desafio histórico passa a ser construir uma nova concepção democrática e progressista capaz de compreender as profundas transformações da sociedade digital sem abandonar seus valores iluministas da liberdade, da justiça, da dignidade humana, da solidariedade e da fraternidade.
E isso me parece ser uma tarefa urgente!
A esquerda está aqui e mundo afora, em crise! – por Roberto Freire











