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NOSSA SOCIEDADE CONSEGUIRÁ ENTENDER E SUPERAR A CULTURA WOKE? Por Elizabeth Leão

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Normalmente, os temas que me sugerem uma reflexão surgem aleatoriamente e vão se sedimentando paulatinamente na minha mente até sentir que não posso fugir, transformando-os em escrita. Recentemente assustou-me um artigo de autoria de Eric Kaufmann,
originalmente publicado pelo City Journal e depois pela Gazeta do Povo. https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/pesquisa-mostra-que-jovenspreferem-a-cultur a-do-cancelamento-a-liberdade/
O título ficou gritando nos meus ouvidos: “Pesquisa mostra que jovens preferem a cultura do cancelamento à liberdade.”
Meu espanto foi a constatação de que o valor mais precioso para todas as gerações sempre foi a LIBERDADE. Ela, a liberdade, que foi o propósito de tantas revoluções, está sendo relegada a segundo plano, por força de uma imposição cultural. Esta geração submetida, não tem consciência do malefício que está fazendo a si própria e a todas as que ainda virão.
Sim, a sociedade está vivendo desafios aparentemente intransponíveis e a origem desses desafios pode ser resumida numa simples, mas já arraigada cultura, a woke.
Este termo, de origem afro-americana, se referea uma percepção das questões relativas à justiça social e racial, mais especificamente associada a políticas identitárias, quer seja, causas socialmente liberais, feminismo, ativismo, LGBT, e questões culturais.
Seu uso foi generalizado a partir de 2014, com o movimento Black Lives Matter, apesar de ter aparecido pela primeira vez durante a eleição presidencial nos Estados Unidos em 1860, em apoio a Abraham Lincoln, e em oposição à disseminação da escravidão.
Até aqui, tudo muito interessante e justo, pois buscava-se a ideia de estar acordado –stay woke, e que essa consciência deveria ser conquistada. A partir das mídias sociais e círculos ativistas, a palavra se espalhou de modo generalizado pelo uso da corrente dominante, alcançando inclusive as marcas que iniciaram um movimento de inclusão de mensagens de consciência social nas campanhas publicitárias. Como por exemplo na campanha da Nike, Colin Kaepernick usou o slogan “Acredite em algo, mesmo que isso signifique sacrificar tudo”, já numa demonstração do radicalismo que passaria a permear essa nova cultura, que parecia impulsionada por interesses financeiros de transformação na mentalidade das novas gerações, contribuindo para o surgimento de slogans como igualdade racial e social, feminismo, o movimento LGBT, o uso de pronomes de gênero neutro, o multiculturalismo, o ativismo ecológico e o direito ao aborto.
Muitas críticas foram deflagradas por apoiadores e detratores que descreveram o termo como pejorativo ou sinônimos de política de identidade radical, disputa racial, formas extremas de politicamente correto, cultura do cancelamento, censura, além de fazer parte de uma guerra cultural geral.

Em 2019, Brendan O’Neill, editor da revista Spiked, descreveu os indivíduos que promovem a política woke como pessoas que tendem a ser identitárias, censuradoras e puritanas em seu pensamento ou um “guerreiro cultural que não consegue aceitar o fato de que existem pessoas no mundo que discordam dele”. Ele também afirmou que a política woke seria uma “forma mais cruel de correção política” sendo que, em realidade, ela indica claramente com
quais posturas políticas alguém se identifica.
Sim, transformou-se em uma questão política e social. Ser woke deveria se referir a pessoas dotadas de consciência social e racial, aquelas que sem ser radicais, questionamparadigmas e normas opressoras historicamente impostas pela sociedade. Ao contrário, transformou-se em um movimento cultural, predominantemente disseminado e incorporado no ambiente universitário, e passou a ser considerada extremista, descrevendo pessoas que se julgam
moralmente superiores e querem impor suas ideias progressistas sobre os demais.
Neste cenário seria viável entender os mencionados jovens americanos que preferem perder sua liberdade a serem cancelados por manifestações de pensamento. Esta geração sente – o que é comum principalmente entre os adolescentes – que aceitar as regras de uma cultura impositiva os manterá incluídos ao meio, mesmo que relegue sua autonomia a um segundo plano, mesmo que deixe de expressar ideias/opiniões próprias que poderiam ser consideradas inadequadas ou mesmo proibidas naquele contexto majoritário. Ao preferirem a igualdade cultural à liberdade, abstendo-se do cancelamento, estes jovens estãosendo agentes, mesmo inocentes, de um verdadeiro atentado contra a liberdade de expressão: tudo o que pode ser dito ou comentado deve estar de acordo e tolerado pelos wokes.
Isto vem acontecendonão apenas entre os jovenseosacadêmicos que se veem pressionados. Também o empresariado sucumbiu a esta onda de modernidade, utilizando campanhas publicitárias com essa ideologia. E, se não bastasse, o que começou como um choque cultural foi se transformando em um enfrentamento político.
Por sua vez, o mundo jurídico, que deveria ser isento e imparcial, encontra-se totalmente subjugado à cultura progressista, permeando suas decisões na chamada “cultura do cancelamento”.
Na realidade, essa cultura, além de indicar posturas políticas com as quais as pessoas se identificam, se tornou guia de expressões da discussão política, aumentando a polarização entre os indivíduos, como nunca dantes ocorreu. Tudo deve se submeter ao “politicamente correto”, com a substituição de expressões, atitudes, que passaram a serconsideradas ofensivas porque contrárias ao pensamento de determinados grupos sociais, sob a alegação de causarem danos psicológicos a minorias, serem considerados “discurso de ódio” ou
“atentatórios à democracia”.
Hoje, todo comportamento político ou jurídico encontra-se permeado e influenciado pelo wokeísmo. Tudo o que se encontra em dissonância ao pensamento de determinados segmentos deverá ser cancelado e proibido.
Questões políticas à parte, além da sociedade empresarial já haver constatado que não é economicamente viável direcionar seu marketing baseado no wokeísmo – empresas como a Disney, Magazine Luiza, Gillette, dentre outros, que utilizaram esta tendência no seu marketing, receberam cancelamento reverso por parte das pessoas acima de 30 anos, que em sua maioria não se submeteu -, deparamo-nos com a degradação das Artes e com o declínio das universidades.
O desequilíbrio emocional e comportamental verificado entre os menores de 20/25 anos, nos leva a refletir sobre o que pode ser feito, que medidas devem ser tomadas para tentar salvar esses jovens. Ou, em se constatando a impossibilidade desta empreitada, pelo menos tentar direcionar a educação das crianças e futuros adolescentes para uma cultura de valores sólidos permeada pelo maior inimigo dos progressistas, defensores do wokeísmo, que é a
cultura Cristã.
Minha esperança não morreu! Ela persiste, forte. Entendi que este movimento degradante, incorporado pelo ódio, pela discriminação, por tantas outras atitudes contrárias ao bom senso e à natureza das coisas, é artificial. Ele, não é natural. Ele foi cirurgicamente lançado na sociedade e alimentado por interesses que não cabem agora analisar.
De quem haveria de partir a mudança? Por parte dos políticos? E, onde se encontram esses políticos?
Somente eles, respaldados pelo seu poder de criar leis, suportados por cidadãos conscientes, poderão transformar o futuro dos jovens e, de consequente, o futuro da sociedade.
Não tem saída? Esta é uma pergunta negacionista, se nos reportarmos à atitude do Governador da Flórida/EUA, Ron DeSantis, que, recentemente, demitiu todos os professores que defendiam esta ideologia na Universidade daquele Estado.
DeSantis é um dos republicanos que mais ressaltam os supostos perigos da cultura woke.
É possível ser atento às injustiças sociais sem o radicalismo em que se transformou a sociedade woke.
O radicalismo não é saudável, nunca foi. Sempre se transforma em debilidade com autoritarismo, em extremismo, perseguição, medo, insatisfação e insegurança.
O importante é entender o cerne da questão, o que está acontecendo com nossos jovens, o que é a ideologia woke, conhecer sua origem, seus critérios, formas de disseminação,
estabelecer um plano firme e rigoroso com o objetivo de sua derrocada nas Universidades e de interromper a silenciosa implementação dessa cultura nas escolas primárias e secundárias. Importante encontrar meios de fortalecimento dos jovens para que não se submetam, se posicionem, não se deixem dominar por ameaças de “cancelamento”, simplesmente pela necessidade de serem incluídos em grupos, serem aceitos pelos colegas, com quem quase sempre não dividem os mesmos valores e sentimentos.
Torna-se imprescindível que nas Casas Legislativas surja a vontade e intenção, por parte de algum ou alguns parlamentares, de atuar nesta Jornada, visando salvar o futuro da Nação.
Este futuro dependerá da formação desses jovens brasileiros, tão relegados ao esquecimento e à falta de políticas que independam de ideologias predominantes nos órgãos responsáveis.
Necessário projetos de implementação de autoconfiança e disseminação de valores sólidos entre os jovens. Não podemos cruzar os braços.
Não é viável aguardar iniciativas neste sentido por parte do Governo Federal. Medidas devem ser iniciadas, principalmente conscientizando os pais de que esta transformação pode ter início dentro de casa, no seio das famílias, com o perfeito entendimento deste nefasto movimento que está deteriorando a personalidade, para não dizer a Alma de seus filhos.
Trata-se de uma jornada árdua, mas possível. Possível para aqueles que se dispuseram a prestar um serviço à sociedade ao optarem pela carreira política. Ao decidir ser um representante da sociedade, deveriam ter, obrigatoriamente, como prioridade, o cuidado com os jovens para a transformação do futuro da Nação.
O futuro começa na educação saudável e consciente dos seus cidadãos, que deverão estar “despertos”, sem o fisiologismo e radicalismo – para não dizer oportunismo -, da cultura “woke”. Somente a entendendo profundamente, nossa sociedade conseguirá superar esta cultura que tem se demonstrado tão nociva e perniciosa.

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1 comentário

1 comentário

  1. Maria Abadia Silva

    março 26, 2024 at 7:33 am

    Parabéns Elizabeth pela clareza com q abordou esse importante e dificil tema.Coragem, ousadia, amor ao bom senso, ao equilíbrio pessoal e social, além da grande preocupação com o futuro de nossa juventude e a saúde de nossas instituições! Não só faculdades, todas ela tomadas por esse grande engodo! Parabéns

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