O Brasil se mobilizou, sensibilizado e indignado, para protestar contra a morte cruel e covarde do cão Orelha, brutalmente espancado por adolescentes em Santa Catarina.
Uma revolta compreensiva e oportuna.
Mas se pensarmos bem, o ato covarde daqueles garotos é apenas a ponta visível de um enorme abcesso pútrido que lateja de dor na sociedade brasileira.
Quantos animais domésticos são maltratados no Brasil, quantos animais silvestres são dizimados por aqui?? Um número incalculável, sem que as pessoas sequer tomem conhecimento.
Nosso país tem mostrado sua cara violenta, cada vez mais.
Uma violência que vem sendo aclimatada no cotidiano de nossas vidas.
Manifesta-se com as mais de 100 mil pessoas morando nas ruas, em situação sub-humana degradante.
Mostra a cara na guerra urbana do dia a dia com dezenas de milhares de pessoas assassinadas por armas de fogo nas ações do crime organizado ou vítimas das mortes por “motivos fúteis”.
Vivemos uma epidemia de violência contra a mulher, resultando nos números indecentes de feminicídios, lesões físicas e psicológicas.
Ou a violência sexual contra crianças, com números alarmantes.
Nossa polícia despreparada, mal paga e muitas vezes corrompida mata e morre nas refregas diárias, pelas ruas da cidade.
Sim! Somos um país violento. Muito violento. E cada vez mais.
A tortura mortal do cão Orelha, nos mostra uma face horrenda de nossa juventude, que vez por outra tem o hobby de atear fogo em moradores de rua.
Esses jovens são produto de seus lares, de suas escolas, de sua vida social.
Os adultos não deixam por menos.
A fama de brasileiro cordato e pacífico, está substituído pela imagem de uma parcela cada vez maior da população que pratica atos de ódio contra animais, e principalmente, contra seus semelhantes.
É disso que se trata!
Gilberto Natalini
Médico e Ambientalista











