A ministra Carmen Lúcia, do STF, conseguiu transmitir com toda clareza a situação daquela Corte diante da opinião pública nacional, ao relatar conversas com motoristas de táxis que opinam sobre o desprestígio total do colegiado, hoje desconsiderado como nunca em todas as vertentes do cenário nacional.
De fato, não poderia ser diferente quando se observa a atuação de um ministro como Dias Toffoli, que, desde o início de sua gestão esteve sob a desconfiança de leigos e doutores que analisam a sua atuação naquele “poder” (?), não só por haver chegado à condição que lhe foi conferida pelo seu colega de partido e militância política então alçado à Presidência da República – Lula da Silva – sem nunca ter sido aprovado em concurso para atuar na Primeira Instância, como também por decisões polêmicas quando na Corte Suprema, que o puseram sob a desconfiança da opinião pública nacional.
O outro magistrado ė Alexandre de Moraes, em quem sempre vi um exibicionista nato, capaz de abandonar o bom senso e afrontar a prudência ao assumir em vários processos as funções, ao mesmo tempo, de denunciante, de acusador e de juíz, num espetáculo de mandonismo muito próprio de regimes de exceção.
Recordo-me que, numa das muitas conversas diletantes com Mário Covas, concordávamos ambos que jamais poderíamos ser, ele e eu, Promotores de Justiça, porquanto parece que, nesse cargo, os titulares se realizam com as penas mais altas que possam aplicar aos réus, numa espécie de prazer quase orgástico, tal qual o atual ministro do STF fez com os acusados de tentativa de golpe de estado de 8 de janeiro, cujas penas atingiram, muitas vezes, a exorbitância de 29 anos de prisão, num excesso mesmo para os que, como eu, defendiam a condenação.
Hoje vejo nos jornais que os colegas de Alexandre veem o risco do ministro ficar isolado no Supremo em razão de suas atitudes personalistas que levam crise à Corte, como, conforme divulgado, não se conformar com a convocação de sua esposa para depor na Comissão de Investigação de Assembléia sobre o caso Master, o que demonstra ser ele impiedoso com terceiros, mas condescendente com os que lhe são próximos.
Também não pode ficar sem citação a conduta do ministro Flávio Dino, que até admiro como o que me parece ser o mais competente da Suprema Corte, que se permite apresentar-se nas arquibancadas do Carnaval pulando, eufórico, e saudando com o L nas mãos o presidente da República, homenageado de uma escola de samba, a quem, de repente, ele poderá ser chamado a julgar em caso de algum ilícito cometido ou que venha a cometer.
Essas coisas todas ė que conspiram contra a imagem do Supremo, cujos ministros, muitas vezes, não se comportam com a sobriedade que é justo esperar-se deles.
Uma pena.











