O primeiro turno das eleições para presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais realizou-se no domingo passado, deixando-nos algumas lições.
A primeira, na minha avaliação, é que a população votante deu sinais de desejar mudanças no atual comando do Brasil. Há um sentimento de insatisfação que os homens públicos precisam compreender.
A segunda foi o destaque de duas figuras jovens entre os mais votados em São Paulo. Vejo nesse resultado a disposição do eleitor de abrir espaço para uma nova geração, à qual caberá demonstrar competência e responsabilidade.
A terceira foi a rejeição, nas urnas, de figuras tradicionais da política, algumas com longa trajetória. É uma demonstração de renovação e um lembrete: ninguém é dono do mandato. A permanência na vida pública depende da confiança do eleitor.
A quarta lição foi o desempenho político do governador de São Paulo, com a eleição de dois senadores e a formação de expressivas bancadas estadual e federal em seu campo político. Na minha leitura, esse resultado fortalece sua liderança e aumenta sua responsabilidade.
A quinta é que considero um ex-presidente preso o grande vencedor político deste pleito. Sua influência sobre o eleitorado demonstra que a ausência da disputa direta não significa, necessariamente, perda de força eleitoral.
A sexta diz respeito às interrupções percebidas na atualização das apurações, que despertam dúvidas e exigem explicações claras. Acredito que possam decorrer de problemas na transmissão de dados, mas a causa precisa ser esclarecida. Uma pausa na divulgação, por si só, não comprova irregularidade; ainda assim, a transparência e o acompanhamento técnico são essenciais à confiança pública.
Enfim, entendo que o brasileiro quer mudanças e já realizou parte delas no primeiro turno. Minha expectativa é que o segundo turno complete esse movimento.
Que essa vontade de mudança venha acompanhada de discernimento. Mais do que vencer uma eleição, os escolhidos terão de mostrar que merecem a confiança recebida. Nossos filhos e netos viverão as consequências das decisões que tomamos hoje.











