Estamos inseridos numa cultura inundada de informações, ou seja, o conhecimento está se expandindo a uma velocidade geometricamente maior do que em qualquer outro período da história.
Mas, é exatamente o conhecimento que está se expandindo, apenas a crença ou talvez a mera opinião?
O constante e rápido fluxo de informações aparentes em nossas vidas induz-nos a pensar que temos cada vez mais conhecimento quando, na verdade, não temos nenhum?
Sabemos realmente tudo que pensamos saber?
Temos uma tendência natural em afirmar conhecimento onde este, na verdade, pode não existir.
É importante ressaltar a antiga filosofia do ceticismo e qual a sua origem, bem como, responder à frequente pergunta dos filósofos acerca de serem sempre necessárias evidências para a crença racional e, portanto, para o conhecimento.
Ou seja, a forma mais básica de análise cética pode nos dar uma nova perspectiva dos fundamentos de todo conhecimento humano.
Portanto, as perguntas suscitadas pelo ceticismo podem colocar tudo em uma nova luz e, inspirar-nos com uma nova e necessária humildade quanto a nossas pretensões ao conhecimento.
As palavras “cético” e “ceticismo” vêm de um antigo verbo grego que significa “examinar”. Etimologicamente, um cético é um examinador.
Enfim, o ceticismo no que tem de melhor, não é uma questão de negação, mas de dúvida examinadora, inquiridora, questionadora.
“Quão propensos a duvidar, quão cautelosos são os sábios”.
Homero (850 a.C.), poeta épico da Grécia Antiga (Odisseia).
O primeiro grande filósofo cético do mundo antigo foi Pirro de Élida (cerca de 310-270 a.C.).
Pirro acreditava que devemos ser sempre rápidos em perguntar e lentos em acreditar. Ele parecia pensar que nos convencemos facilmente demais de coisas que perturbam nossas mentes e almas. Praticava e pregava a suspensão do julgamento tanto quanto possível.
Céticos corretos não negam. Eles apenas hesitam em afirmar e questionam as afirmações que as outras pessoas fazem naturalmente.
Os céticos como Pirro, filósofo grego, pensavam que devemos viver nossas vidas de acordo com as aparências, mas abstendo-nos de tirar quaisquer conclusões dessas aparências, bem como, de sustentar quaisquer crenças firmes baseadas nessas aparências. O objetivo dessa cautela sempre foi a tranquilidade do espírito e, em essência, uma espécie de felicidade pacífica na vida.
Esse é o legado do ceticismo antigo.
Os céticos formulam algumas perguntas profundas e desafiadoras para as quais não há respostas rápidas e fáceis. Como resultado do estudo dessas perguntas, podemos atingir uma compreensão muito mais profunda de coisas que há muito tempo aceitamos acriticamente.
Nos termos mais simples possíveis, o cético quer nos perguntar por que temos qualquer uma das crenças que sustentamos. Ele quer saber por que pensamos que sabemos as coisas que afirmamos saber. Ele nos pergunta como podemos ter o conhecimento que alegamos ter. Suas perguntas lançam uma luz nos fundamentos de todas as nossas crenças.
O cético nos formula uma pergunta simples, mas penetrante: “Como sabemos que as fontes de nossas crenças são confiáveis?”
Ou melhor: “Como sabemos que a memória ou testemunho são confiáveis?”
O testemunho é nossa fonte principal de crença sobre o passado. O ceticismo faz uma pergunta simples: “Como sei que posso confiar no testemunho?” “Como sei que o que as outras pessoas me contam é verdade?”
Pergunta Lucrécio, poeta e filósofo romano, (século I a.C.): “O que nos dá um conhecimento mais seguro do que nossos sentidos?” “Com que mais conseguimos distinguir melhor a verdade da falsidade?”
O cético pergunta: “Como sabemos que a experiência sensorial chega a ser confiável?”
O Observe que as perguntas dos céticos não mostram apenas que não conseguimos provar a fidedignidade da origem de nossas crenças. O problema é mais profundo. Não conseguimos fornecer uma única prova simples dessa suposição que todos compartilhamos e de que depende a credibilidade de todas as nossas outras crenças.
As fontes de nossas crenças são às vezes confiáveis.
Então, onde está a nossa âncora com a realidade?
Enfim, o cético tem perguntas!
Parece que não temos respostas.
O desafio do cético mostra que não conseguimos provar algumas das coisas mais básicas e importantes, e normalmente incontroversas, em que todos acreditamos. Sequer conseguimos reunir alguma boa prova de que são verdadeiras. Simplesmente acreditamos nelas. E o cético vive perguntando por quê.
Há pouquíssimo espaço na vida humana para o dogmatismo insolente, arrogante. Todos temos de ser um pouco humildes em nossas certezas.
A crença é inevitável na vida humana. E ela é racional.
Suspender todas as nossas crenças como propõe o cético clássico é literalmente impossível. E mesmo que não fosse impossível, seria inviável.
Portanto, as perguntas do cético revelam somente que a racionalidade de nossas suposições mais básicas e, assim, a racionalidade de nossas crenças não podem consistir em provas independentemente disponíveis de sua verdade. Essa é a principal lição do ceticismo!
“Minha mente está em um estado de dúvida filosófica”.
Samuel Taylor Coleridge (S.T.Coleridge) (1772-1834), poeta, crítico e ensaísta inglês.












