Bob na Zona da Mata
Em 1965, John Kennedy estava morto, assassinado que fora em 23 de novembro de 1963. João Goulart encontrava-se exilado no Uruguai, após a sua deposição em 31 de março de 1964. O sinal de que os tempos eram outros viu-se logo na chegada de Robert (Bob) Kennedy ao Recife. A polícia prendeu estudantes universitários que distribuíam folhetos. No dia seguinte, Bob viajou à Zona da Mata. Da janela da Cooperativa Mista de Trabalhadores Rurais de Carpina fez discurso defendendo “a urgente organização dos trabalhadores em sindicatos e associações” para “tornar possível a reforma agrária”. Eu acompanhava a comitiva.

Bob caminhou pelos canaviais ao lado do padre Paulo Crespo, articulador da Igreja com a área rural. Conversou com camponeses, perguntando a eles se recebiam o salário-mínimo. Em Recife, o senador norte-americano fez palestra para estudantes da Faculdade de Filosofia.
O sociólogo Gilberto Freyre fez o discurso de abertura. Lembrou o passado rebelde e nativista de Pernambuco e disse que o estado apoiava a revolução: “Revolução no sentido em que John Kennedy entendia revolução”.














