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Quem tem medo do Master – por Aloisio Nascimento

Banco Master: um escândalo bilionário na área financeira com tentáculos fortes e comprometedores nos três níveis de poder, contribuindo para reforçar a posição de destaque do país nos índices mundiais de corrupção, conquistada com a operação Lava-Jato. Até aqui, as ações de persongens estranhos ao processo policial que apura responsabilidades na fraude bancária levantam sérias suspeitas de envolvimento de membros importantes do executivo, judiciário e legislativo, além de empresários e ex-ministros dos governos anterior e atual.

Fraude anunciada

Jovem, ousado e ostentando luxo e riqueza, Daniel Bueno Vorcaro, mineiro de BH, circulava com mais desenvoltura nos meios sociais e oficiais de Brasília desde 2018, quando iniciou as atividades do Banco Master. E deixou claro desde o começo (como depôs à PF) que o principal modelo de negócios do banco era a captação de recursos com a venda de títulos CDB, que têm a garantia de cobertura do FGC até o limite de R$250mil. O Master oferecia rentabilidade acima da média do mercado, desviava esses recursos para empresas do grupo e não tinha caixa pra honrar resgates dos clientes.

E os responsáveis pelo setor de fiscalização do BC no governo anterior e início do atual não detectaram nenhuma irregularidade no Master? Difícil acreditar. Noticias não desmentidas apontam que bancos como BTG Pactual e XP faturaram milhões de reais vendendo títulos daquele banco aos seus clientes.

Pânico no poder

Bilionário, articulado e muito generoso com aliados, o ex-banqueiro contava com uma ampla cobertura de apoio e tráfico de influência que começou a ruir com as investigações da PF sobre a tentativa de venda do seu banco ao BRB. Uma operação suspeita que causou sérios prejuízos financeiros ao banco estatal e ao governo de Ibaneis Rocha/DF. Após os atos de vandalismo no início do governo Lula, a Praça dos 3 Poderes voltou a viver momentos de pânico, desta vez causado pela turbulência e ramificações do caso Master. E o pânico cresce diante da possibilidade de uma delação premiada de Daniel Vorcaro, incomodado com o uso de tornozeleiras eletrônicas.

No STF, os ministros José Dias Toffoli e Alexandre de Moraes estão expostos publicamente por suas ligações perigosas com Vorcaro. O Master assusta também os senadores Ciro Nogueira, Davi Alcolumbre (presidente do Senado) e Jacques Wagner, líder do governo e padrinho das contratações de Ricardo Lewandovski e Guido Mantega pelo ex-banqueiro.

Alcolumbre e Nogueira (ex-ministro de Bolsonaro) tentaram aprovar no senado medidas que beneficiavam o Master, aumentando de 250mil para 1,0milhão de reais o limite dos investimentos em CDBs com garantia do FGC. O Instituto de Previdência do Amapá, estado onde Alcolumbre é o grande líder politico, enterrou quase meio bilhão de reais em títulos do Master. No Instituto do RJ o investimento foi próximo de 01 bilhão. Ricardo Lewandovski antecipou a aposentadoria no STF para ser conselheiro do banco e logo depois assumiu o ministério da Justiça do governo Lula, onde pediu demissão diante da ruidosa repercussão do escândalo Master.

Guido Mantega, o desempregado ex-ministro da fazenda de Dilma Rousseff, recebeu alguns milhões de reais para abrir a porta do gabinete de Lula a Daniel Vorcaro, quando o Master já era investigado por suspeita de fraude em suas operações. O que levou Lula a receber o ex-banqueiro em sigilo, fora da agenda presidencial, com a presença do presidente do BC e ministros palacianos? Nenhuma resposta convincente. Até o ministro Jesus, do TCU, desceu à terra um pouco afoito para exorcizar os demônios que atormentavam o ex-banqueiro e queriam vê-lo arder no inferno da Papuda. E, claro, aproveitar a suposta missão divina para abençoar e absolver seus aliados políticos de pecados inconfessáveis.

Além do carnaval nas ruas e Copa Mundial da FIFA em junho/julho, a campanha eleitoral para as eleições nacionais de outubro promete fortes emoções: candidatos da situação e oposição vão atirar pedras -de olhos vendados- em todas as direções e fatalmente acertarão o alvo, tantos são os telhados de vidro existentes país afora. Ao mesmo tempo, o baixo nível intelectual da polarização política dos últimos anos tende a elevar o percentual de abstenção nas urnas. Não faltarão -aos dois lados- recursos dos contribuintes para gastos e desvios, como as emendas parlamentares. Leva vantagem quem tiver mais pedras?

Pesquisas recentes colocam o Brasil como o quarto maior produtor mundial de bananas com uma produção anual próxima de 7 milhões de toneladas, das quais exportamos apenas cerca de 1%. Estamos garantidos entre os maiores consumidores mundiais de banana.

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