Home / Psicologia / A polêmica envolvendo Juliano Cazarré fala muito mais sobre a forma como a gente reage do que sobre o que realmente foi proposto – por Bruna Gayoso

A polêmica envolvendo Juliano Cazarré fala muito mais sobre a forma como a gente reage do que sobre o que realmente foi proposto – por Bruna Gayoso

Existe um desconforto quando o assunto é saúde mental masculina. E esse desconforto aparece rápido, em forma de críticas, julgamentos e ataques. Antes mesmo de entender, muita gente já decidiu que é algo ruim. E aí a gente percebe a contradição de uma sociedade hipócrita, que cobra homens melhores, mas se incomoda quando alguém tenta ajudar nessa construção.

Grande parte dessa repercussão veio de uma interpretação errada de palavras como “farol” e principalmente “forja”. A palavra “forjar” assustou muita gente, como se fosse algo agressivo. Mas forjar, na essência, é construir, moldar, desenvolver. É o processo de se tornar alguém melhor. Quando se fala em forjar homens, se fala em formar homens mais conscientes, mais equilibrados, mais preparados emocionalmente para a vida, para a paternidade e para a espiritualidade.

Só que, hoje, qualquer conversa sobre masculinidade já é vista com desconfiança. Falar de evolução masculina virou, para muitos, sinônimo de agressividade. E isso diz muito sobre o quanto estamos presos a ideias distorcidas.

Ao mesmo tempo, a gente vê algo curioso. Existem inúmeros espaços, cursos e movimentos voltados para mulheres, e isso é importante, necessário e válido. Mas quando surge algo voltado aos homens, a reação muda completamente. Vêm os ataques, as críticas, os rótulos. Essa é a sociedade hipócrita mostrando sua incoerência.

Também não dá para ignorar que existem interesses envolvidos. O mercado de desenvolvimento pessoal movimenta dinheiro, visibilidade e influência. Quando novos espaços surgem, isso mexe com quem já ocupa esse lugar. Nem toda crítica vem só de preocupação genuína, às vezes vem de medo de perder espaço.

Mas, no meio de tudo isso, a pergunta mais importante nisso tudo: quem está cuidando dos homens?

Homens também sentem. Também se perdem. Também carregam dores que nunca aprenderam a nomear. Foram ensinados a ser fortes o tempo todo, a não demonstrar fraqueza, a engolir o que sentem. E depois, quando isso transborda, a mesma sociedade que nunca acolheu é a primeira a apontar o dedo.

E aqui tem um ponto que não pode mais ser ignorado: o número de suicídio entre homens é significativamente maior. Homens morrem mais por não conseguir lidar com o que sentem, por não encontrar espaço para falar, por não pedir ajuda. Existe uma dificuldade real em buscar apoio, em admitir dor, em se abrir. E isso não acontece por acaso, é resultado de uma cultura que ensinou o homem a se calar.

Cuidar da saúde mental masculina não é passar pano, não é justificar erro. É evitar que o erro aconteça. É evitar que vidas se percam. É dar consciência, direção, responsabilidade emocional.

Uma masculinidade equilibrada não machuca, não agride, não destrói. Ela cuida, constrói, protege e assume o que precisa ser assumido.

E tem um detalhe importante que muita gente ignora: esses espaços também abrem diálogo. Existem mulheres participando, palestrando, contribuindo. Isso não é sobre separar, é sobre somar. É sobre evolução conjunta.

No fim, o que fica é isso: ainda vivemos em uma sociedade hipócrita que prefere julgar do que entender, criticar do que construir.

E enquanto esse barulho todo acontece, existem homens em silêncio, lidando com seus próprios abismos emocionais, sem saber por onde começar.

Se alguém está tentando acender uma luz nesse caminho, isso deveria ser visto com respeito, com gratidão e não com ataque, porque precisamos urgentemente cuidar de nossos homens.

Porque, quando um homem se cura, não é só ele que melhora. São as relações ao redor, são as famílias, são os filhos, é o ambiente inteiro que começa a se transformar,

É assim, pouco a pouco, que a gente constrói uma sociedade mais saudável, mais consciente e mais humana.

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