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Planejamento versus imediatismo: o papel do consórcio na mudança de mentalidade dos consumidores – por Tatiana Schuchovsky Reichmann

Vivemos na era da urgência. Hoje, em poucos cliques, é possível adquirir praticamente qualquer bem ou serviço, muitas vezes sem sair de casa. Porém, o mais preocupante é que boa parte destas aquisições são feitas sem o devido planejamento financeiro. A cultura do consumo imediato, impulsionada facilidade de acesso e pela lógica do “compre agora, pague depois”, tem se consolidado como padrão de comportamento, o que traz consequências. O resultado é perceptível com o aumento do endividamento das famílias brasileiras.

De acordo com dados do Banco Central, o endividamento das famílias já compromete quase 30% da renda dos brasileiros. Do total utilizado para o pagamento de dívidas, 10,4% são referentes a juros, maior percentual em pelo menos 20 anos; e 18,81% vão para honrar o essencial.

Diante deste cenário, torna-se cada vez mais relevante discutir alternativas que incentivem uma relação mais consciente com o dinheiro. E é nesse ponto que o consórcio ganha protagonismo, não apenas como uma opção de acesso a bens, mas como uma ferramenta de transformação de mentalidade.

Diferentemente do crédito tradicional, que estimula a satisfação instantânea, mesmo com o pagamento de juros, a modalidade se baseia em planejamento, disciplina e visão de longo prazo. Ao ingressar em um grupo, o consumidor assume o compromisso de contribuir mensalmente, com o objetivo de adquirir um bem ou serviço com organização financeira.

Essa lógica contraria diretamente o imediatismo predominante. Enquanto o crédito fácil pode comprometer a real capacidade de pagamento do consumidor, o consórcio exige que ele planeje o seu objetivo. É, em essência, um exercício contínuo de educação financeira, uma vez que contribui para o desenvolvimento de hábitos saudáveis em relação ao dinheiro.

A previsibilidade das parcelas e a ausência de juros também ajudam o consumidor a manter o controle do orçamento, evitando surpresas e reduzindo o risco de inadimplência. Ao mesmo tempo, o modelo incentiva o planejamento de médio e longo prazo, algo cada vez mais raro em uma sociedade orientada pela urgência do consumo.

Outro ponto importante é o papel do consórcio na democratização do acesso a bens de maior valor, como imóveis e veículos, sem a necessidade de recorrer a financiamentos onerosos. Em um contexto de juros elevados, essa alternativa se torna atrativa, permitindo que o consumidor conquiste seus objetivos com sustentabilidade.

No entanto, vale destacar que a modalidade não é uma solução mágica. Ele exige disciplina e não atende àqueles que precisam do bem em caráter imediato. Ainda assim, justamente por isso, representa uma mudança de paradigma: substitui a lógica da pressa pelo planejamento, e o impulso pela estratégia.Em um país onde o endividamento das famílias atinge níveis preocupantes, promover essa mudança de mentalidade é fundamental.

O consórcio, nesse sentido, vai além de um produto financeiro, ele se posiciona como um instrumento de educação e conscientização. Ao valorizar o planejamento em detrimento do imediatismo, o produto convida o consumidor a repensar sua relação com o consumo. E, talvez, esse seja seu maior mérito: mostrar que, muitas vezes, esperar não é perder tempo, é garantir equilíbrio no futuro.

*Tatiana Schuchovsky Reichmanné administradora, especializada em gestão empresarial e CEO da Ademicon. Com 30 anos de atuação na empresa, lidera atualmente uma equipe de 450 colaboradores e 10 mil consultores de venda em todo o Brasil. Acredita que o consórcio é um meio de democratizar o acesso ao crédito e uma ferramenta de planejamento financeiro.

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