Existem pessoas que nos ensinam por aquilo que dizem; outras por aquilo que fazem, mas há as que nos ensinam por aquilo que conseguem sentir. A compaixão é uma dessas lições raras, costuma surgir depois que a vida já revelou suas durezas, depois das decepções, das perdas e das marcas que inevitavelmente carregamos ao longo do caminho.
Por isso, sempre me impressiona quando encontro pessoas capazes de preservar a humanidade mesmo diante de experiências dolorosas. Pessoas que aprenderam a impor limites sem endurecer o coração. Que compreenderam que proteger a própria dignidade não exige abandonar a capacidade de compreender a fragilidade humana.
A palavra compaixão tem origem no latim compassio, que significa “sofrer com”. Não se trata de sentir pena. Pena olha de cima para baixo e compaixão olha de igual para igual. Reconhece que, em maior ou menor medida, todos somos vulneráveis às nossas escolhas, aos nossos erros e às circunstâncias da vida.
O filósofo Arthur Schopenhauer considerava a compaixão o fundamento da moralidade porque ela rompe a barreira do individualismo. Quando somos capazes de enxergar a dor do outro sem negar a nossa própria, alcançamos uma forma mais elevada de compreensão humana. Talvez seja por isso que a compaixão seja tão rara. Ela exige maturidade, exige que abandonemos a necessidade de transformar toda dor em condenação e todo erro em sentença perpétua. Isso não significa esquecer, justificar ou aceitar aquilo que nos feriu. A compaixão não elimina a responsabilidade pelos atos. Ela apenas nos impede de reduzir uma pessoa ao pior capítulo de sua história. Quando o comum é julgar, rotular e classificar pessoas, a compaixão tornou-se uma joia preciosa porque corresponde a uma força interior que poucos desenvolvem.
Ao longo da vida, desenvolvendo essa virtude tão rara, descobrimos que a verdadeira grandeza é a capacidade de seguir em frente sem perder aquilo que nos torna profundamente humanos.
Suely Buriasco
Mediadora Corporativa e Escritora












