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Eu sou o tempo vivo – por Paulo Costantini

É, meus caros caríssimos.

Eu sou do tempo que o goleiro batia a ponta da chuteira no gramado para dar o tiro de meta. Ainda, antes de iniciar o jogo, riscava o meio do gol, sem grama, com os cravos da chuteira. Usava joelheiras elásticas de tiras de feltro na cor crua. Com a bola de capotão, em couro marrom, costurada à mão. Quando o jogo se desenrolava no gramado molhado ou na chuva, a bola se tornava um peso absoluto.

Eu vivi o tempo do onça… Expressão já desconhecida.

A expressão foi criada por volta de 1730, pelo o governador do Rio de Janeiro, Luís Vahia Monteiro, por conta de seu gênio autoritário. E não é que depois de quase 300 anos, volta à bailar a mesma figura truculenta, ranzinza e autoritária daquele tempo?

Só que não como governador, e sim como ministro. Com ele, a justiça foi maculada… Coisa que não poderia ter ocorrido sem marcas indeléveis.

A verdade é que teve espaço e recebeu apoio de seus pares. Os demais, que não fizeram, foram coniventes, mesmo percebendo os absurdos que vinham sendo cometidos.

A justiça tem como premissa a isenção total no caso ou sobre o réu, não permitindo qualquer posicionamento prévio ou pré-julgamento. É preciso muito tempo para se obter credibilidade. Uma eternidade… Diga-se a bem da verdade. Pra se perder… Em um instante.

A justiça não tem direito ao equívoco, principalmente à injustiça. Dificilmente o Brasil, com a sua Suprema Corte, será o mesmo. Será sim um Brasil… Mas sem a credibilidade que uma Suprema Corte exige.

Entristece constatar que de 4 Poderes, não se tenha mais o equilíbrio. Percebemos então, a fragilidade do sistema.

Deveriam aprender com o futebol que baila e surfa a cada gol. E quando jogam mal, perdem o jogo ou nem são escalados ou classificados. Assim deveria ser mesmo a Convenção e Regimento do STF. Sem eira nem beira. Outra expressão que nem se usa mais.

Infelizmente, a justiça se perdeu entre fazer justiça ou fazer justiça social. Ou mesmo não fazer nem uma, nem outra coisa.

Num recente caso, o Juiz condenou uma empresa porque ela não detinha nenhuma mulher em cargo de chefia. E não é só o STF e o Judiciário como um todo. A OAB também entrou na dança.

E as Forças Armadas então… Mas isso é para uma outra crônica.

Pode continuar deitado em berço esplêndido, Brasil, como sempre esteve … Mas acorda enquanto é mais do que tempo.

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