“Você é um pedaço de Deus me dando um pedaço de Vida”. Esta frase do incrível Bráulio Bessa que, no seu lindo poema “Amor de Mãe”, retrata com precisão a experiência vivida por três crianças que, no último dia 24 de junho foram sustentados física, mental, emocional e espiritualmente por sua mãe durante o período de 11 dias sob os escombros do terremoto duplo de magnitude 7,2 e 7,5, ocorrido na cidade de La Guaira, Venezuela.

Eles passaram onze dias soterrados e abraçados entre colunas de concreto sob um dos 800 edifícios atingidos naquele fatídico dia.
O que poderia explicar este fenômeno? Um milagre? Como essas crianças permaneceram quietas, calmas, alimentadas apenas pelo leite materno daquela mãe debilitada? Provavelmente assustada, essa maravilhosa Mãe encontrava-se, com certeza, confiante na Providência Divina e no seu poder de superar a sua própria humanidade. Nada foi capaz de desequilibrar aquela mãe, que, mesmo sem se alimentar, mesmo sem ter noção se seriam resgatados, permaneceu em perfeito equilíbrio. Ela nutriu seus três pequenos não apenas do seu alimento sagrado, mas também com serenidade, segurança, amor, calor físico e espiritual.
Todos sobreviveram, todos superaram, ancorados pela força imensurável emanada do coração daquela Mãe, que se tornou sobrenatural, gigante. Ela viveu o desafio de defender sua prole. Aquele profundo elo transcendeu o aspecto puramente emocional, e se viu sustentado por mecanismos biológicos, psicológicos e divinos. Qual força envolveu essa Mãe? Que sentimentos inundaram seus pensamentos e sua Alma?Somente elapoderia nos responder.
Na nossa tênue especulação, apenas poderíamos entender toda essa experiência se considerarmos a força da ligação entre mãe e filho como uma das conexões mais profundas, duradouras e complexas da natureza humana.
Até mesmo a ciência já respeita que referida conexão não pode ser apenas analisada na sua forma abstrata, pois ela ocorre fisicamente, moldada no corpo e no cérebro.
A força da maternidade é a resposta para este fenômeno. Aquela mãe sabia que só haveria uma opção: cuidar de sua preciosa prole naquele pequeno espaço formado entre as estruturas de concreto que desabaram e que a acolheram, junto com seus filhos, de forma também milagrosa. A partir daí, o instinto de sobrevivência falou mais alto, e a delimitação de espaço decorrente das colunas, possivelmente, evitou a possibilidade de maiores danos.
Aqueles abençoados seres haviam sido presenteados por outros dois incríveis milagres: além de mãe e filhos terem sido acolhidos juntos, mesmo sob os frios escombros de concreto, não se tem notícias da ocorrência de danos físicos relevantes; e aquela venturosa mulher ainda guardava, em face de uma maternidade recente, o precioso alimento em seu corpo. Tudo foi milagroso, sobrenatural. Durante todo aquele tempo, a Mãe usou o próprio leite para alimentar as crianças. Em uma situação que poderia levar qualquer pessoa ao pânico,aquela mãe se manteve confiantee encontrou forças para,literalmente, sustentar a vida de sua prole – daqueles pequeninos que dependiam dela.
Sem noção do mundo externo, essa mãe recebeu forças sobrenaturais, para continuar sustentando seus filhos não apenas com o alimento divino que saía de seu corpo, mas com o alimento transcendental da força do amor, e da energia vital. Esta se irradiava naqueles pequenos que se sentiam seguros nos braços de sua guardiã. Por sua vez, ela, com certeza, em nenhum momento, deve ter sentido desespero, medo. O instinto, a vontade de salvar sua prole deram-lhe forças para manter os filhos em seus braços, transmitindo-lhes carinho, amor, segurança, calor humano e alimento, alimento esse proveniente do seu próprio corpo.
Nada é maior do que o Amor Materno: profundo, incondicional, pleno, dedicado, capaz de qualquer desafio para proteger sua prole. Acima do amor materno, só o Amor Divino —e o Amor Materno é a expressão do Amor Divino na Terra. Deus escolheu a mulher como a receptora e emanadora desse amor incondicional. Seu simples toque de mão acalma, o abraço fortalece, o sentimento de proteção se expande. Passa fome para dar o que comer, se sacrifica para defender. A Mãe tem a força do cuidado, que tudo supera. Pela grandeza de sua bravura, arrisca-se para proteger sua prole.
Deus demonstrou ao mundo, através da dura experiência dessa valorosa mulher,que o Amor existe e que a maior força da mulher está na maternidade, na coragem que transcende todos os desafios e na sensibilidade que supera o medo, fortalece a Alma e engrandece o Espírito.
Podemos nos perguntar: toda mulher mãe é capaz de sentir esse amor incondicional? Sim, todas. Contudo, muitas, infelizmente, fecharam seu coração e não sabem do que estamos falando. Em verdade, algumas mulheres nem deveriam ser mães, em face de seu egoísmo, de sua futilidade e de seu ego inflado. Passarão pela vida sem ter consciência do que é o verdadeiro Amor; será uma experiência perdida. Quem é mãe e não abriu seu coração passou pela vida e não viveu.
Realmente essa experiência demonstrou indubitavelmente que Deus existe e que Ele deu às mulheres esse poder incrível que é a força da Maternidade – a força Divina do Amor, que foi capaz de realizar esse milagre vivido por essa Mãe e seus pequeninos. Sem sombra de dúvida, a Mãe é um pedaço de Deus que dá à sua prole um pedaço de Vida, em Sua inteireza cósmica.












