Pois é. A patroa resolveu dar uma arrumada no apartamento depois de 15 anos de uso. No que ela tem toda a razão. As coisas vão envelhecendo, quebrando, sendo remendadas, o piso todo riscado, maçanetas caindo, enfim, necessário um “tapa” no visual da nossa morada.
A primeira dificuldade: por onde começar? Dou uma sugestão, ela outra, e decidimos iniciar pelo desapego. Velho vai guardando tudo com a promessa de …”depois eu vejo o que fazer.”
E qual o primeiro passo?
Sugiro o quarto do meu filho que já não tem essa finalidade desde que ele mudou para a Austrália. Transformei em escritório e, desorganizado que sou, gerei nos últimos anos uma fantástica bagunça. Livros, CDs, documentos antigos até meu primeiro holerite, no curto espaço de tempo que trabalhei na Clipper, uma loja de departamentos que ficava na Rua das Palmeiras, próximo ao Largo do Arouche. Isso em 1963!
Resolvi começar pelos CDs os quais não ouço há uns 10 ou 11 anos. Com o advento das novas tecnologias você pode ouvir suas músicas diretamente das mídias disponíveis a partir de qualquer celular.
Até aí tudo bem…
O difícil foi iniciar a operação!
Abri as gavetas e senti o primeiro choque! Enquanto olhava aquela estante com mais de 400 CDs, começou a passar um filme na minha cabeça. Lembrava de cada um deles, até onde comprei! Em geral nos aeroportos de São Paulo e Rio onde, semanalmente, embarcava para o Rio de Janeiro ou qualquer outra cidade. Isso durante 25 anos!

Antes de começar a remoção, passei num sebo perto de casa. E combinei com o dono que iria, aos poucos, levar os meus “filhos” musicais.
E aqui estou, terminando mais esta crônica, para em seguida começar a “operação desmanche”.
E já com dor no coração!
Na próxima crônica, conto detalhes dessa aventura.
FRASE DE BOTECO
“Um conflito não resolvido é como um disco arranhado. Impede que passemos à próxima música”.
C. Jodorowsky












