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Inconsequentes Sociais – por Antonio Carlos Fernandes

Você talvez tenha vivido o que vou relatar. Algumas das nossas gerações cresceram ouvindo que o Brasil seria um gigante, um rico país do futuro. Nossa Educação pública era de primeiríssima qualidade ainda que precisando trazer para dentro grande parte da população que estava fora da escola. Nosso parque industrial era gigante, além de nossos abundantes recursos naturais.

O que aconteceu então?

Há algumas décadas Inconsequentes Sociais que dirigiam os destinos do país aceitaram docilmente a orientação de setores que tomam decisões globais: Consolidaram o Brasil como Celeiro do mundo e exportador de Commodities. Refletindo a dinâmica da Divisão Internacional do Trabalho (DIT), como teriam determinado, ou seja, país predominantemente voltado para produção e exportação de matérias primas e importador de produtos de maior valor agregado e tecnologia. Não precisaria nem deveria desenvolver Educação, Ciência e Tecnologia de ponta que estavam em franco crescimento. Não queriam que chegássemos ao país gigante que estávamos destinados a ser.

Começou então o desmonte do nosso parque industrial, da nossa Educação e do nosso sistema de desenvolvimento tecnológico. Áreas estratégicas do Estado foram e estão sendo privatizadas, comprometendo políticas públicas, qualidade social, soberania e um monte de etecéteras.

Chique era estudar em escola pública, passar nos exigentes Exames de Admissão. Vergonha para as famílias era os filhos repetirem de ano na escola pública e ter de passar para a escola privada onde, se dizia á época, “pagando, passa”.  Ao invés de investir ainda mais e aumentar a oferta na ótima qualidade de ensino se achatou o sistema, privilegiando a privatização do ensino.

Nos anos 60 tive a honra de estudar no renomado Instituto de Educação Caetano de Campos, na Praça da República em São Paulo, magnífico prédio onde hoje funciona a Secretaria Estadual da Educação. Ex-alunos fomos às ruas nos anos 70 para impedir que tal monumento fosse transformado em estação do Metrô.

Nossas universidades públicas eram referência. A USP, por exemplo, por anos no TOP 100 das melhores universidades do mundo, hoje não mais. Pós-graduandos e doutorandos se dedicavam a desenvolver novas tecnologias, estudos e projetos recebendo prêmios e reconhecimento internacionais além de nossos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento serem moderníssimos.

Na denominada “fuga de cérebros” parte dos nossos melhores alunos passaram a receber bolsas de estudos no exterior e, lá fora, desenvolver novas tecnologias.

Parabéns ao Agronegócio que recebeu e soube utilizar vultosos investimentos do Estado. Mas não deveriam ser coisas excludentes e sim, complementares.

Houve a “reprimarização” da pauta exportadora e passamos a exportar basicamente commodities, produtos primários.

Poucos se dão conta de que em dado momento chegamos à relação de para cada dólar exportado em grãos de café, importarmos quase 10 dólares em cápsulas de café expresso fabricadas, até poucos anos atrás, em países que não tem um único pé de café.

Com isso nossos trabalhadores, com baixa qualificação, chegaram quase à relação de remuneração de cerca de 10 para quase 100 de outros países.

O resultado ai está. Achatamento do nosso desenvolvimento cultural e educacional e as crescentes Legiões de Desalentados.

Que tenhamos a oportunidade de reverter esse quadro. E tal reversão começa por escolhermos conscientemente os que elegeremos para tomar decisões. Foco importante nos Legislativos. Estes cada vez mais determinantes para os rumos de nossa sociedade. Precisamos devolver aos mesmos sua principal virtude, que é a pluralidade. Ali estarem representados todos os segmentos e os avanços se darem respeitando-se o interesse geral.

Dediquemo-nos a incentivar cada pessoa que conhecemos a ajudar no processo de conscientização de cada brasileiro, desde o mais humilde cidadão, sobre a importância e valor do voto consciente.

Que tenhamos saneantes eleições.

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