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Fachin: um ministro covarde – por José Crespo

Covardia não é ofensa, é apenas a triste constatação de uma deficiência de caráter. 

O antigo professor de direito civil da UFPR – Universidade Federal do  Paraná, com certeza tinha notável saber jurídico, e reputação ilibada – requisitos legais para ser catapultado direto daqueles bancos escolares  para o STF – Supremo Tribunal Federal, em 2015, pela presidente  represadora de ventos, Dilma Roussef. 

Sua capacidade de julgar e de decidir havia antes sido testada somente  na academia, quando fazia a avaliação das provas de seus alunos. 

Sempre foi um ministro “apagado”, de poucas expressão e retórica, mas talvez em razão disso mesmo, também pouco criticado. Como se diz  vulgarmente, “nunca fedeu e nunca cheirou” muito. 

Na Côrte “suprema” dois posicionamentos dele marcaram sua índole:  o primeiro, foi ele quem decidiu, monocraticamente, depois de muitos  meses matutando, que Curitiba não tinha competência para julgar os  crimes de Lula (contrariando as três instâncias inferiores) e mandou  “descondená-lo” para ser novamente (nunca) julgado em Brasília. 

O segundo, menos importante mas também catastrófico, foi ele o relator que conduziu a maioria dos colegas na liberação dos indígenas para continuar invadindo e alegando “usucapião milenar” em todo o território nacional (rejeição do marco temporal). 

A presidência daquele colegiado, no regimento interno, não cabe  apenas aos melhores dotados, mas numa rotina de caridade e  “inclusão”, cabe a todos, por antiguidade, e acabou, inexoravelmente,  chegando a vez dele.

Nos últimos dias, um escândalo ainda maior do que os que abatem o país quase que semanalmente, demonstrou com provas irrefutáveis os crimes cometidos pelo colega dele, ministro Alexandre de Moraes. 

Curiosidade: para chegar no STF, é entendimento universal de que o  candidato tem que ter “reputação ilibada”. Mas esse atributo é de  exigência permanente; não serve apenas para entrar, mas deve ser  mantido como condição “sine qua non” ao longo do exercício. 

Não há mais nada que necessite ser “investigado”; basta que Alexandre  reconheça que perdeu o apanágio-base, e como insistia o famoso  capitão Nascimento, “peça para sair”. 

Mas o orgulho e a arrogância de Alexandre, que o dominam, não  permitiram esse gesto de cidadania e humildade. 

Momento em que cabia ao presidente da Côrte decidir em favor da  instituição e de todos os princípios morais (com “i” e não com “e”) e constitucionais. 

Mas Fachin hesitou, falhou, e continua “em cima do muro” – local dos omissos e dos covardes. 

O povo disperso e todas as associações livres do país, incluindo agora até a OAB (que tanto se omitiu, antes) finalmente estão saindo do vil  anonimato. Faltando apenas os melancias das FFAA, ainda coniventes  em suas alcovas. 

Este modesto e despretensioso artigo, mas civicamente indignado, vem pedir ao presidente Fachin que assuma essa obrigação do seu cargo,  afaste liminarmente Alexandre de Moraes do ministério e anule todos os atos ilegais que ele cometeu nestes últimos anos. É o que saneará sua  vida pública e o fará entrar para a História como o homem que, apesar  dos constrangimentos e pressões, fez a coisa certa e reconduziu o Brasil à plena democracia. 

(José Crespo foi deputado estadual na ALESP por três mandatos consecutivos e atualmente é presidente do ICPP – Instituto de  Cidadania e Políticas Públicas)

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