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Poluição e demência – por José Renato Nalini

Com o anúncio de que São Paulo possui dez milhões de veículos, o alerta da ciência em relação ao ar poluído tem de ser levado mais a sério. O Professor Paulo Saldiva já confirmou que o paulistano vive quatro anos menos do que poderia, porque respira um ar quase sólido. Gás carbônico, metano, partículas de material nocivo, fuligem, microplástico.

Ele não está sozinho. A OMS – Organização Mundial da Saúde, divulgou novas diretrizes para redução do risco de declínio cognitivo e demência e, pela primeira vez, incluiu a poluição do ar como um dos fatores que causam essa comorbidade. Se não existe um tratamento único para modificar a evolução da doença ou para curá-la, a prevenção ao longo da vida é a estratégia mais eficaz para reduzir os casos. Mais de sessenta milhões de pessoas vivem com demência no mundo e até 45% dos casos estão associados a fatores de risco modificáveis. Tais como hábitos de vida, condições de saúde que podem ser prevenidas ou tratadas.

A prevenção é o melhor remédio e tem de ser antecedida pela precaução. Dentre outras causas, a demência está associada à obesidade, diabete, hipertensão, colesterol elevado, perda auditiva, depressão e alterações de tais quadros decorrentes.

O mal que não é percebido está principalmente nas partículas finas, que ficam no trânsito e adentram às residências e locais de trabalho. Então é preciso investir na prática diária de atividade física, manter alimentação saudável e equilibrada, abandonar o tabagismo, reduzir ou interromper o consumo de álcool, controlar o peso corporal, tratar diabete, hipertensão e colesterol elevado. Corrigir a perda auditiva, manter o cérebro ativo com atividades cognitivas como leitura, jogos e contação de histórias. Preservar a convivência e a participação social.

Acima de tudo, reconectar a relação inquebrantável com a natureza, de que os humanos fazem parte. Visitar parques, abraçar árvores, recolher sementes, fazer mudas e, principalmente, plantar. A árvore é a melhor amiga da vida. Exijamos mais árvores perto dos locais em que transitamos.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.   

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