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As pesquisas ainda não conseguem dizer quem vencerá as eleições do próximo domingo – por Reinaldo Polito

Chegamos às portas das eleições presidenciais de 2026 e ainda não sabemos quem será o vencedor. As pesquisas apresentam resultados contraditórios. Enquanto umas mostram Flávio na liderança, outras apontam Lula como provável vencedor, ainda que a diferença entre eles apareça apenas em números absolutos, dentro da margem de erro.

Essa história de pesquisa para indicar o possível presidente no próximo mandato já se arrasta há um bom tempo. Salvo alguma falha na busca dessa informação, a primeira a divulgar o resultado foi a Paraná Pesquisas, entre setembro e outubro de 2023. Os dois primeiros colocados eram Lula, com 36,6% das intenções de voto, contra 12,7% de Tarcísio Gomes de Freitas.

Os ventos mudaram

Se os candidatos se baseassem nesses dados, Lula já poderia vestir a faixa pela quarta vez. Mas essa fotografia ficou desbotada, e o que ela expôs não vingou. O presidente ainda não garantiu a reeleição e Tarcísio nem se candidatou ao cargo de presidente, preferiu buscar um novo mandato em São Paulo.

Em terceiro lugar apareceu um nome que nem me lembrava mais de sua intenção em se candidatar. Logo atrás de Tarcísio, despontou Simone Tebet, com 7,4%. Hoje, ela concorre ao Senado por São Paulo. E para fechar os quatro primeiros lugares, surgia Ronaldo Caiado, com 6,7%. Percentual superior ao que as pesquisas demonstram hoje.

E surgiu Flávio

Flávio Bolsonaro, então, nem tinha ideia do que aconteceria na sua vida nos meses que se sucederam. Foi indicado pelo pai para ser o candidato pelo PL (Partido Liberal), com baixíssimas condições de fazer frente ao todo-poderoso líder petista.

A primeira pesquisa a incluir o nome de Flávio foi a do Datafolha, em levantamento realizado de 2 a 4 de dezembro de 2025. A pesquisa foi feita um dia antes do anúncio oficial da pré-candidatura, no dia 5, e divulgada dois dias depois, no dia 6. Se precisasse desse levantamento para se animar, já teria desistido. Obteve 18%, enquanto Lula seguia em voo de cruzeiro com 41%. Num possível segundo turno, a situação não era mais animadora, 51% contra 36%.

Jogo com cartas ruins

Se alguém apostou no nome do vencedor das eleições com base nesses números e ainda não perdeu a esperança, deveria estar bem preocupado, pois há grandes chances de que seja derrotado. Pois é, os dados das pesquisas oscilam como se fossem cascas de amendoim nas águas da praia. Vão de um lado para o outro ao sabor de infindáveis fatores, nem sempre percebidos pelos institutos.

Faltando poucos dias para a votação, há enorme expectativa pelas próximas pesquisas. Assim como houve essa movimentação sem fim ao longo desse tempo, nas próximas horas, dependendo da descoberta de novos escândalos, uns poderão subir e outros descer. Em meio a essas incertezas, há quem diga até que tudo poderá ser resolvido ainda no primeiro turno.

Pero que las hay, las hay

As pesquisas têm tanta influência no ânimo dos eleitores que, a partir delas, já se fala com frequente insistência em uma tendência do voto útil. O que põe por terra uma poderosa expectativa no aparecimento da terceira via. Pelos últimos números, essa via terá de esperar pelas próximas eleições, pois desta vez não deu.

Ou seja, as pesquisas erram, distorcem, falham em seus prognósticos, sempre com a boa desculpa de que são apenas fotografias de um momento, mas ainda conseguem induzir o eleitorado a seguir um ou outro caminho. Do jeito que o ânimo dos eleitores evolui, se o presidente for mesmo eleito no primeiro turno, elas terão tido papel preponderante nesse resultado.

Tese de Churchill

Esse vaivém talvez reflita o verdadeiro espírito da democracia: o povo livre para escolher e mudar de ideia de acordo com a sua própria vontade. É um sistema perfeito? Não. Mas nenhum outro provou ser melhor. Como disse Winston Churchill, no discurso que proferiu na Câmara dos Comuns, em 11 de novembro de 1947:

“Muitas formas de governo já foram tentadas, e outras ainda serão, neste mundo de pecado e desgraça. Ninguém finge que a democracia seja perfeita ou sábia em tudo. Aliás, já se disse que a democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as outras já experimentadas de tempos em tempos.”

No próximo domingo, vamos pôr o nosso voto na urna, com a esperança de que dias melhores virão. Ou para impedir que tempos piores nos atormentem. Que todos exerçam seu direito de escolher seu representante. Só quem lutou para chegar a essa conquista sabe o que ela significa. Se não der para ser o melhor, que seja para ser o menos ruim. 

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