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Tarcísio tem desafios em dobro – por Mauro Ramos

A reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no primeiro turno, com 62,65% dos votos válidos, confere ao governador de São Paulo uma força política excepcional. Mas a dimensão da vitória impõe cobrança proporcional: o segundo governo não poderá ser apenas a continuidade do primeiro, nem servir de trampolim para uma eventual disputa presidencial em 2030. O eleitor paulista entregou poder a Tarcísio para que ele entregue resultados.

O primeiro desafio é transformar a capacidade de investimento do Estado em obras concluídas e serviços melhores. Casos como o atraso do BRT do ABC e os problemas na transição da operação das linhas 11, 12 e 13 da CPTM mostram que concessões e parcerias exigem fiscalização e reação rápida diante do descumprimento de contratos. O modelo privado perderá credibilidade se o Estado for leniente com empresas incapazes de entregar o prometido.

A segurança pública será outra prova decisiva. A criminalidade cotidiana continua alimentando a sensação de insegurança entre os paulistas de todas as regiões. O avanço das facções exige mais do que operações ostensivas: inteligência, investigação, integração entre as polícias e cooperação com municípios e União. A resposta do Estado precisa ser firme dentro da lei. A eficiência policial não pode ser medida apenas por prisões ou apreensões, mas pela capacidade de desarticular organizações criminosas e reduzir o medo da população de sair às ruas.

Educação e saúde são desafios menos vistosos e, por isso mesmo, ainda mais importantes. Na educação, os resultados precisam aparecer na aprendizagem, na redução das desigualdades, na valorização dos professores e na qualidade do ensino médio.

Na saúde, o cidadão não mede o governo por anúncios de investimentos, mas pelo tempo para conseguir consulta, exame, cirurgia ou atendimento especializado. A gestão estadual terá quatro anos para mostrar que a eficiência chega à ponta, onde estão as filas e os problemas.

Há ainda um desafio que deixou de ser secundário: a adaptação às mudanças climáticas. Enchentes, deslizamentos, ondas de calor, incêndios e eventos extremos já pressionam infraestrutura e Defesa Civil. São Paulo tem planos de prevenção e resiliência, mas precisa transformar planejamento em obras, sistemas de alerta, ordenamento territorial e proteção das populações vulneráveis. O verão se aproxima e será um duro teste para Tarcísio.

A reeleição reforçou a influência nacional de Tarcísio, mas São Paulo não pode ser governado segundo as conveniências do calendário presidencial. O segundo mandato deveria consolidar reformas, aperfeiçoar serviços e elevar a qualidade institucional do Estado, e não antecipar a campanha de 2030.

Tarcísio precisa mostrar que consegue produzir um governo forte. São Paulo precisa de um governador capaz de usar seu capital político para resolver problemas que persistem há décadas no Estado mais rico da nação.

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