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Cultura

A DIFÍCIL RELAÇÃO ENTRE A ÉTICA E A PALAVRA por Sorayah Câmara

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As palavras não têm uma força, poder ou forma nelas mesmas, mas é o homem que as emprega e as transforma com uma intencionalidade.
O discurso é uma das principais estratégias de persuasão, indução e convencimento.
Mikhail Bakhtin (1895-1975) foi um filósofo e pensador russo que disse que “a palavra é o fenômeno ideológico por excelência”.
A palavra pode ter diversos significados segundo a ideologia a qual está subordinada.
No processo pedagógico, a palavra é a ferramenta que mais permite o diálogo e a construção da existência humana.
Sem dúvida, a palavra fascina!
Ou seja, a palavra está impregnada de intenções, explícitas e implícitas, enquanto se reveste de caráter de poder e de ideologia.
O que se privilegia na comunicação no dia a dia é a palavra, ela penetra na vida de maneira tão incisiva, nas salas de aula, nas relações amorosas e nas disputas de poder por meio dos debates em período eleitoral.
Uma educação plena não deve permanecer engessada em conceitos e em teorias que satisfazem o ego do doutor professor.
Os meios de comunicação, muitas vezes, utilizam palavras e todas as formas de linguagem que estão a serviço do capital e dos donos de meios de produção para enganar, camuflar, adocicar as consciências com uma falsa realidade.
Lamentavelmente, a palavra esvaziou o seu sentido, o seu significado, o seu conteúdo.
Não existe palavra em si!
Ou seja, há intenções quando elas são empregadas e utilizadas.
Ao longo da história, presenciamos os grandes ditadores como Mao Tsé-Tung, Hitler, Mussolini, Nero e outros, utilizarem especificamente a palavra para dominar.
Ao contrário, Jesus Cristo e Gandhi usaram a palavra para propiciar libertação.
Portanto, a palavra em si não é ética, torna-se ética mediante a comprovação entre o que e o como se fala e de que maneira se concretiza.
A palavra é fundamental no processo de humanização do homem!
Num determinado sentido, as palavras são essencialmente ideológicas e carregadas de produção simbólica como estrutura de dominação.
Na verdade, na prática, a língua é inseparável de seu conteúdo ideológico ou relativo à vida.
Por meio da linguagem se humaniza, por isso, o processo educativo deve ser valorizado e incentivado na escola para formar estudantes pensantes e críticos.
Porém, na realidade, não existe neutralidade, somos seres de intencionalidades.
Enfim, a palavra é poder por excelência como fenômeno ideológico.
As palavras podem mudar uma determinada realidade como foi, por exemplo, a situação vivenciada na Europa durante o período nazista.
Porém, a palavra pode, também, libertar ou alienar o que legitima a barbárie.
É necessário construir consciência crítica, engajada e transformadora para ser possível interpretar nas linhas e nas entrelinhas da palavra se o que ela contém é ambição, usura e exploração.
Por outro lado, é importante compreender que a palavra possibilita abertura de diálogo e o encontro fraterno com os princípios.
Ciente que a palavra é ideológica, se ela não for alicerçada na ética, ela não será utilizada para o bem comum e para a concretização da dignidade humana.

“A ética é a estética de dentro”.
Pierre Reverdy (1889-1960), poeta francês.

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