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Cultura

ALBERT SCHWEITZER, UM EXEMPLO DE DIGNIDADE por Sorayah Câmara

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Numa manhã em 1896, numa bela região montanhosa da Alsácia, um jovem acordou cedo. Ele
tinha 21 anos. Ele acordou pensando sobre sua vida futura e perguntou a si mesmo se ele poderia se tornar um pastor como o seu pai ou se ele poderia ser um sábio professor, um escritor ou um organista ou até mesmo um construtor de órgãos.
Todas essas profissões seriam possíveis para o jovem universitário, Albert
Schweitzer (1875-1965). Muitas coisas interessavam a ele, como música, religião e história do pensamento humano.
Ele gostava muito de construir coisas com suas próprias mãos e ele tocava órgão muito bem.
Na verdade, Schweitzer percebia que poderia ter sucesso em qualquer profissão ou atividade que escolhesse, porém, ele queria escolher algo que Deus quisesse.
Schweitzer tinha consciência que a vida era miserável para milhões de pessoas no mundo e ele tinha o desejo de ajudar as pessoas a progredirem em suas vidas.
Ele decidiu, então, estudar com afinco a vida de Jesus Cristo. E pensou que as nações ricas deveriam convidar os pobres para as suas
festas, pois um bom anfitrião não convida somente amigos. E continuou pensando, e concluiu que aqueles que passavam necessidades, ou seja, os pobres, os doentes e os cegos deveriam ter ajuda dos ricos, isto é, aqueles que tinham boas condições de vida deveriam dividir o que tinham com os mais necessitados.
E, por conseguinte, ele perguntou a si mesmo se ele conseguiria ter uma vida de sacrifício voltada para os menos favorecidos, isto é, talvez ele tivesse que desistir da música, de aprender e de todas as coisas boas da vida para concretizar essa realização.
Num primeiro momento, a resposta pareceu ser “não ainda”.
Então, Schweitzer decidiu que até os trinta anos, ele faria tudo o que desejasse e depois dessa idade, ele ficaria a serviço dos outros.
Mas foi uma atitude tomada em completo silêncio!
Ele estudou muito, escreveu livros e aprendeu a construir grandes órgãos que eram utilizados nas igrejas europeias.
Ele se tornou um excelente organista!
Ele se tornou, também, pastor de igreja e diretor de uma faculdade, ou seja, transformou-se em um homem de grande reputação.
Porém, Schweitzer não se esqueceu da sua decisão de ajudar as pessoas quando completasse trinta anos de idade.
Durante esses anos, ele trabalhou muito e dormia pouco e sua consciência estava sempre voltada para as pessoas pobres.
Schweitzer começou a pensar sobre o “desnecessário” sofrimento na África, isto é, sentiu vontade de trabalhar pelos africanos.
Obviamente, ele teria que ir para a África, imediatamente, para trabalhar como professor ou pastor.
Porém, naquela época, mais do que agora, havia muitas doenças na África e poucos médicos.
Então, Albert Schweitzer decidiu que ele se tornaria um médico.
Schweitzer disse, certa vez, que religião significava “ser humano”, principalmente, no sentido da fé cristã.
Portanto, para ele, o significado da vida não era ter conhecimento ou arte, simplesmente, mas ser humano na sua plenitude e fazer algo em nome de Cristo.
Em 1905, com trinta anos, ele voltou para a universidade como estudante de medicina e ao mesmo tempo, ele ensinava e pregava a palavra de Deus.
Finalmente, ele se tornou um médico e em 1913, ele e sua esposa, Helene, foram para a África com tudo que era necessário para começar uma nova vida e abrir um hospital.
Helene, sua esposa, era enfermeira e juntos eles planejaram abrir um hospital na estação da Sociedade Missionária de Paris em Lambarene (era no Gabão, país na África Central, que era governado pela França).
Dr. Schweitzer levantou dinheiro para essa missão por ele mesmo. O dinheiro do hospital veio dos seus livros, conferências e concertos. Se ele tivesse permanecido na Europa, ele seria um homem rico, mas ele estava sempre com pouco dinheiro por causa da sua missão.
Desafortunadamente, a Sociedade Missionária de Paris o proibiu de pregar em Lambarene, pois os missionários não estavam certos de que as ideias de Schweitzer eram cristãs, embora ele fosse respeitado em todo o mundo.
Porém, Dr. Schweitzer não se importou já que ele estava na África para trabalhar e não para falar. Sua missão era curar doenças e salvar vidas.
Mas a situação ficou difícil, em 1914, quando começou entre a França e a Alemanha, a Primeira Guerra Mundial, e a África sentiu os seus efeitos.
Os Schweitzers eram considerados cidadãos alemães, enquanto o Gabão era francês. Portanto, Albert Schweitzer e sua esposa foram prisioneiros de guerra em seu próprio hospital.
Depois, Dr. Schweitzer construiu um novo hospital que tinha espaço para muito mais pacientes.
Ele enfrentou também, em 1939, a Segunda Guerra Mundial, mas não desistiu da sua missão em nenhum momento.
Albert Schweitzer foi agraciado com vários prêmios e, em especial, o Prêmio Nobel da Paz que ele ganhou em 1952.
Ele morreu em Lambarene com a idade de 90 anos.
Albert Schweitzer é um exemplo de um grande homem que lutou por uma causa altruísta por toda uma vida.
Ele escreveu: “Trabalhar no mundo, nada pedindo dele ou dos homens, nem mesmo ser reconhecido, essa é a verdadeira felicidade”.

“Não sou outra coisa senão alguém que faz o que é natural. O natural, no entanto, é a bondade amorosa”.
Albert Schweitzer (1875-1965), teólogo, organista, filósofo e médico alemão.

Sorayah Câmara é escritora

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