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CHUVAS NO RIO GRANDE DO SUL: HORA DE MOBILIZAÇÃO. Por Fernando Pinheiro Pedro

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A tragédia das chuvas e tempestades que puseram o Estado do Rio Grande do Sul literalmente sob as águas mobilizou governo e sociedade, em um movimento importante de solidariedade e senso de emergência.

No entanto, a tragédia  também  permitiu que víssemos o grau de despreparo de nossos administradores… para enfrentar a questão. 

O MUSEU DE GRANDES NOVIDADES

Exemplo disso foi o ajuntamento de autoridades “com lugar de fala” na coletiva de imprensa ocorrida neste fim de semana (5 de maio), quando da nova visita do Presidente da República e sua extensa comitiva de ministros.

As intervenções e falas deram a medida do problema.

A coletiva, bem como o pronunciamento dos ministros … revelou-se um museu de ideias alheias, apresentado por engenheiros de obras feitas num teatro para babões…

A mediocridade reinante explica, de fato,  muita coisa.

Primeiro, o que sempre constato nesses debates: o “salvacionismo” e todo o discurso repetitivo a respeito do protagonismo antrópico sobre o planeta.

De fato,  precisamos ter humildade para ampliar nossa resiliência e adaptabilidade aos fenômenos climáticos na superfície da Terra. Esses fenômenos são fruto de interações as mais diversas, incluso a nossa… mas é fato que já ocorreram cataclismos antes e… ocorrerão outros DEPOIS de nós.

A “surpresa” com o evento não  se justifica em nenhuma hipótese.  Em verdade já ocorreu fato semelhante no ano de 1941, na mesma região  – razão  de terem sido construídos diques e barragens no sistema hídrico, para conter o efeito hidrológico das enchentes. A região  sul do Brasil é  a mais sujeita à eventos extremos como esse, bem como aos ciclones.

Assim, tivemos tragedias nas últimas décadas e no século  XX, como tivemos no século XIX também. 

A área sul do Brasil é sujeita, da mesma forma como o Sul da África e a Malásia, à maior ocorrência de células  chamadas zonas de baixa pressão ao sul do equador. Se assim é e… de posse, no Brasil, de dados seculares de cheias históricas em todas as grandes bacias… já era tempo de termos um plano nacional de prevenção, contingência e emergência para chuvas e… também estiagens.

Algo mais eficaz e técnico que o proselitismo de ocasião.

Porto Alegre – em 1941 e 2024. Atenção ao regime de cheias das bacias e aos ciclos..

HORA DE PENSAR NA RECONSTRUÇÃO 

Quando as águas baixarem, teremos um estado em ruínas.

Serão necessários: 

1– recursos bem administrados para obras emergenciais e apoio intenso do Corpo de Engenharia do Exército para recompor parte da infraestrutura de abastecimento e transporte;

2– Contratação de Navios-Geradores para fornecimento de energia e navios hospitais da Marinha para atender suplementarmente as emergências- em especial a endêmica de leptospirose;

3– Instalação de mini-estações de purificação de água – como as de tecnologia israelense;

4- Recomposição  do sistema de telefonia celular – talvez com o uso de um sistema “starlink” – já  em uso na Amazônia;

5- Distribuição  de geradores de energia a motor, para as áreas afetadas na região  serrana e vales;

6– Um “Plano Marshall” – referência  ao plano de reconstrução  da Europa pós-guerra, articulado junto aos organismos financeiros multilaterais, para reconstruir a infraestrutura e reestimular a economia.

MAIS DO MESMO… COM OS MESMOS

Meu temor é ver que todo esse desafio será  enfrentado por um quadro de atores e circunstâncias que  desfavorecem a credibilidade na eficiência e eficácia   de uma reconstrução  do Estado…

Não se fará nada com dirigentes incapazes de aprender até mesmo com a própria experiência. E esse fato é o primeiro grande desafio!

No entanto, como diz o dono do boteco da esquina, esse é  o “que temos para hoje”.

Por outro lado, o povo gaúcho, como já  ocorreu com os catarinenses num passado próximo, tem uma impressionante capacidade de superação. São cidadãos organizados e com grande capacidade de mobilização. E isso é um grande alento.

No âmbito da Iniciativa DEX, comandada pelo amigo e General da Reserva Rui Matsuda, já estamos nos mobilizando para agir e também  propor.

Assim, convido os amigos envolvidos na gestão  pública  e privada a articular esforços e auxiliar intelectualmente no enfrentamento  aos desafios da reconstrução. Será  necessário estratégia, planejamento, engenharia e governança. 

Vamos agir propositivamente, de olhos postos no País e em nós, brasileiros. Temos o futuro pela frente e… esperança não é estratégia !

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