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Ucrânia

DOIS ANOS DE CONFLITO: NO CALDEIRÃO DA UCRÂNIA, UMA GUERRA EM BANHO-MARIA por Gustavo Gumiero

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A Ucrânia vai entrar na União Europeia? A Rússia vai invadir a Ucrânia? Se invadir, em quantos dias conseguirá conquistar todo o território? A epidemia da covid-19 já acabou? Essas eram as perguntas entre o final de 2021 e o início de 2022. E lá se vão quase dois anos que, em 24 de fevereiro de 2022, Vladmir Putin, o presidente da Federação Russa, tomou a decisão de ocupar a Ucrânia, seu país-irmão.

O ano 2022 assistiu, então, ao início de uma reconfiguração geopolítica e também ao aumento da inflação, provocado pela falta de insumos (trigo, fertilizantes e gás são alguns dos commodities importados da Rússia e da Ucrânia pela maioria dos países), e a consequente disparada dos juros. E isso sem falar das milhões de ucranianas que tiveram de deixar suas casas para escapar do conflito.

Os últimos acontecimentos “importantes” da guerra no noticiário foram a promessa do início do contra-ataque ucraniano, que teve início em meados de 2023, mas que rendeu poucos resultados efetivos; e o levante de Prigozhin, então braço direito de Putin e fundador-comandante do grupo Wagner, formado primordialmente por mercenários e ex-prisioneiros russos, também em junho daquele ano, que por apenas algumas horas ameaçou Putin e Moscou e preocupou o Ocidente. Mas a rebelião foi rapidamente dissipada, e o conflito voltou à sua normalidade.

Parece que a guerra entrou em estado de banho-maria. Mas, claro, esse marasmo não está do lado das refugiadas ucranianas que tiveram de escapar do conflito logo em seu início e foram obrigadas a reiniciar a vida em outros países. Os soldados dos dois lados também não sentem nenhum tédio, têm de lutar pela sua própria sobrevivência diariamente; muito menos os habitantes da Ucrânia, que se veem diariamente constrangidos a escutar as sirenes antiaéreas e muitas vezes têm de recorrer a abrigos antimísseis.

O conflito está em compasso de espera. 2024 será marcado por eleições na Rússia – com a mais que certa vitória de Putin – e também nos Estados Unidos – com a improvável reeleição de Joe Biden. O que acontecerá se Trump, que supostamente é um aliado de Putin, sair vencedor? A Europa e a OTAN tentariam um acordo de paz antes da posse de Trump, com medo de que ele retire o apoio financeiro e militar à Ucrânia? Ou Trump tentaria intensificar o conflito, para mostrar que ele “resolve”? Não há certezas, por isso a guerra provavelmente será levada mais um ano em banho-maria, só mantendo aquecido o conflito, mas sem explodir o caldeirão.

Gustavo Gumiero, é mestre e doutor em Sociologia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e autor dos livros “Gritos da guerra: o conflito Rússia-Ucrânia na voz das mulheres que sofrem” (2023) e “Pandemia no Brasil. Fatos, falhas e… atos” (2022), ambos da Editora Mostarda. Para mais informações: www܂gustavogumiero܂com܂br

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