Vejo duas reações positivas do governo após a vitória de Lula. A primeira está na primeira nota da coluna Painel da Folha, sobre a preocupação do presidente reeleito com os efeitos da decisão de Alexandre de Moraes de recolher os passaportes de Flávio Bolsonaro. Segundo a coluna, a avaliação de Lula sobre a ida de Flávio para os Estados Unidos um dia depois da decisão de Alexandre de Moraes, reforça o discurso de que há perseguidos no Brasil.
É um discurso falso, mas a decisão de Alexandre de Moraes deu argumento para Flávio alegar que é um exilado político. Acho que Flávio iria fugir de qualquer maneira, mas sem a besteira que Alexandre de Moraes não teria o pretexto da fuga. Ao contrário, ficaria evidente que estava fugindo porque está envolvido até o último fio de cabelo em corrução cabeluda.
Informa o Painel que atitude, no mínimo intempestiva, do ministro, provocou irritação do governo por ter elevado a tensão política desnecessariamente, logo após a apuração dos votos.
O segundo fato que me deixou feliz foi Lula falar que é preciso pacificar o país. Essa é uma posição que tenho expressado publicamente. Não podemos viver mais quatro anos de uma polarização e divisão que tem causado mal ao Brasil. Sintomaticamente, um dia após do encontro de Lula com Alcolumbre e Hugo Mota o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, senador Oto Alencar – um aliado extremamente fiel ao PT e a Lula – admitiu discutir o projeto de Anistia.
Antes que os mais lulistas do que Lula me apedrejem, em algum momento dessa nossa quadra histórica, teremos de enfrentar este tema e o próprio Lula pode chegar à conclusão de que este é um passo a ser dado para poder governar em um clima menos radicalizado. Se é que não já chegou.
Acho que sem querer querendo, Oto Alencar, copa, cozinha de Jacques Wagner e Rui Costa, abordou o tema para assuntar qual seria a reação m sobretudo da base governista e petista. Macaco velho, ele não tomaria tal iniciativa sem consultar seus aliados históricos.
Para deixar os “cristãos novos” do lulismo – que ficaram mais radicais do que os lulistas de raiz – acho que Alexandre de Moraes se tornou um estorvo para Lula e seu governo. Tenho a impressão, e sinto cheiro disso no ar – se de fato for levado adiante um processo de impeachment de Alexandre de Moraes, o governo lavará as mãos.
Política não se faz com o fígado. Ainda mais por parte de quem tem a difícil missão de governar. E como dizia Michael Corleone, não se deve odiar o inimigo porque isto deixa a mente turva.
Galileu Galilei nos deu uma lição: “Eppur si muove!












