Os deputados Pedro Uczai, líder do PT na Câmara, e Rogério Correia acionaram a Polícia Federal para identificar quem ajudou Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil. A representação mira Eduardo Bolsonaro, o advogado Willer Tomaz, o responsável pelo pagamento do jato da Baires Fly e até integrantes dos governos Trump e Milei.
Pediram ainda o rastreamento do dinheiro da viagem, esclarecimentos do Itamaraty aos países envolvidos, uma difusão azul da Interpol e a apuração de uma suposta rede de desinformação que teria despistado as autoridades.
O documento lista favorecimento pessoal, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e embaraço à investigação. O problema está na premissa. Na mesma tarde, a própria PF afirmou em nota que a decisão de Moraes não autorizava prisão nem fazia do senador um foragido.
O favorecimento pessoal pressupõe ajudar autor de crime a escapar da autoridade, mas Flávio é apenas investigado, sem denúncia e sem mandado de prisão.
A representação sustenta também que o senador entrou nos Estados Unidos com passaporte diplomático já cancelado. A entrada, porém, foi autorizada pelo próprio governo americano, sob parole humanitário, e cabe a Washington, não a Brasília, decidir que documento aceita em seu território.
Somada aos pedidos de prisão preventiva e de alerta vermelho da Interpol já apresentados ao STF, a ofensiva tem mais alcance político que jurídico.
A preventiva esbarra na imunidade parlamentar, e o estatuto da Interpol veda a atuação em casos de caráter predominantemente político. O alvo real parece ser outro: transformar aliados no exterior, fretadores e governos estrangeiros em suspeitos e elevar o custo de qualquer apoio à oposição fora do país.









