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Cultura

MAHATMA GANDHI, A GRANDE ALMA por Sorayah Câmara 

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Muitas pessoas no mundo têm uma imagem em suas mentes de um homem, muito simples, chamado Gandhi (Gandhiji).
Ele era um santo homem, muito bom para este mundo tão cruel e amava o seu país, a Índia!
Mohandas Karamchand Gandhi foi, primeiramente, chamado Mahatma ou Grande Alma pelo poeta indiano Rabindranath Tagore (1861-1941).
Gandhi não gostava do título de honra “Mahatma”, pois ele não desejava honras e títulos.
Gandhi é o mais importante homem que lutou pela independência política da Índia!
Na verdade, o termo “político” não é adequado para se referir a ele, pois Gandhi não desejava poder e altos cargos. Ele até recusou um convite para participar do governo ou de partido político. Ele não se importava com riqueza, fama e conforto.
Na realidade, ele era um grande líder religioso! E encontrou a Verdade em todas as religiões. Todos aprendiam com ele e os seus ensinamentos sensibilizam todas as nações até hoje.
Mahatma Gandhi era hindu e nunca tentou convencer as pessoas a mudarem de religião.
Para ele, a vida do espírito e a vida da ação não estavam dissociadas, isto é, separadas, pois ambas representavam a unicidade, ou seja, o Uno Indivisível.
Toda ação, Mahatma dizia, tem suas implicações espiritual, econômica e social. Portanto, o espírito não está e não pode estar separado desses outros aspectos.
Para ele, não existia religião sem política e política sem religião. Ou seja, Fé e ação formam uma unidade!
Gandhi era um sonhador e por toda a sua vida, ele tentou realizar os seus sonhos. Ele vislumbrava um mundo onde as pessoas não eram ricas e nem pobres, nem dominadoras e nem dominadas, ou seja, um mundo em que todos se respeitassem.
Enfim, Gandhi almejava um lugar onde as pessoas tivessem o necessário para sobreviver. E acima de tudo, que tivessem paz e fossem felizes trabalhando para a formação de um mundo bem melhor.
Ele queria que as pessoas desenvolvessem um trabalho com as suas próprias mãos, como ele, que tecia, e que não fossem dependentes de máquinas.
Gandhi, sabiamente, percebeu que o acúmulo de riquezas na sociedade causava um desequilíbrio econômico e social, isto é, o planeta não poderia suportar que somente algumas pessoas acumulassem riqueza e conforto.
Ou seja, o problema da pobreza na humanidade deveria ser resolvido com uma distribuição igualitária, isto é, cada um deveria ter o necessário para sobreviver com dignidade.
Para ele, somente pelo caminho da igualdade entre todos poderia haver paz na Terra.
Os cientistas das nações mais ricas do mundo, atualmente, afirmam isso!
Às vezes, Gandhi fazia discursos, mas ele acreditava mais no poder do exemplo.
Mahatma Gandhi tinha uma vida simples com os seus seguidores. Eles eram disciplinados, aceitavam qualquer tipo de trabalho, isto é, mesmo os mais pesados, comiam e dormiam pouco, reservando sempre um tempo para a oração e para o estudo. O próprio Gandhi limpava as latrinas e pensava que essa atitude era útil e necessária.
Ele queria transmitir para as pessoas a ideia de que todo trabalho é importante e tem o seu valor!
Mohandas Gandhi nasceu em 1869 num pequeno estado da Índia ocidental onde o seu pai era um importante oficial. No passado, essa parte da Índia tinha sido governada por pessoas de diferentes religiões. Embora, a sua família fosse da religião Hindu, as suas práticas religiosas pertenciam, também, à religião muçulmana e a outras religiões.
Os membros de sua família não comiam carne, não bebiam e nem fumavam.
Certa vez, Gandhi disse que era impossível vivenciar a meditação e a oração, intensamente, sem controlar as necessidades do corpo.
Ele, também, aprendeu sentir desde criança um respeito profundo por todas as formas de vida as quais eram denominadas “ahimsa”.
“Ahimsa” significa não causar dano a qualquer coisa que tenha vida!
A prática do “ahimsa” permaneceu para sempre como aspecto essencial do seu ensinamento!
Ou seja, Gandhi não permitia que os seus seguidores fossem violentos com os soldados britânicos na luta pela independência da Índia.
Porém, algumas vezes, as multidões que ele liderava ficavam fora de controle, isto é, causavam muito dano e violência na sociedade.
Na verdade, o jovem Mohandas não era muito diferente dos outros rapazes.
Ele era quieto, não era um excelente aluno, e ele odiava esportes e jogos organizados.
Com treze anos, ainda estudante, ele casou, assim como, os seus irmãos, também, casaram. Era um costume da época no seu país casar bem jovem. Os seus pais organizaram uma única grande festa.
Sua esposa, Kasturbai, tinha a mesma idade dele, mas recebeu pouca educação.
Embora, Gandhi fosse um marido fiel, ele, em certo momento da vida, sentiu vergonha por ter casado tão jovem. Depois de alguns anos, ele tentou mudar entre o seu povo esse costume do casamento na infância. Atualmente, o casamento de crianças é ilegal na Índia. Era permitido sob o governo colonial britânico, mas é ilegal desde a independência do país, em 1947.
Quando era menino, Mohandas Gandhi fez amizade com o rapaz que ia à sua casa para limpar as latrinas. Ele sentiu pena dele. As pessoas miseráveis que faziam esse tipo de trabalho pertenciam à classe Hindu dos “intocáveis”. Até mesmo suas sombras nunca deveriam cair sobre os Hindus da classe alta. Acreditava-se que suas vidas difíceis eram uma punição por atos errados em uma vida anterior. Poucas pessoas se importavam com eles ou tinham pena deles. Não podiam melhorar as condições em que viviam. Eles somente tinham como opção, ou seja, aceitar o seu modo de vida humilde.
Anos depois, Gandhi passou a chamá-los de “filhos de Deus”. Ele trabalhava, arduamente, para ajudá-los e, como sempre, ele dava um bom exemplo.
Ele, certa vez, decidiu levar uma criança dessa classe miserável dos “intocáveis” para a sua família.
Gandhi sempre fazia esses trabalhos considerados mais simples, como, por exemplo, lavar latrinas.
Ele dizia que não desejava reencarnar, mas se tivesse que voltar para Terra, ele gostaria de ser um “intocável” para poder dividir o sofrimento dessa classe miserável com eles próprios.
Mohandas foi escolhido por sua família para seguir o caminho do pai como funcionário público. Porém, ele precisava para ir ao encontro dos seus sonhos de uma boa educação.
Então, a família enviou Gandhi para a universidade na Inglaterra para estudar Direito. Apesar de ser pai, ele não tinha completado dezenove anos ainda.
Quando ele chegou em Londres, o jovem indiano começou a se comportar como um inglês rico e cavalheiro na medida do possível.
Ele usava roupas de acordo com a última moda, teve aulas de dança e música e gastou muito dinheiro.
Porém, ele manteve a promessa que fez para a sua mãe antes de partir para a Inglaterra, ou seja, “nunca comer carne”.
Essa tentativa de conseguir a admiração dos estrangeiros não durou muito tempo, pois como o seu dinheiro acabou, Gandhi começou a observar a vida dos ingleses.
Ele começou a estudar o Cristianismo e a vida de Cristo e pensou na possibilidade de se tornar um cristão.
Ele, também, leu, pela primeira vez e em inglês, o Bhagavad Gita que é um texto religioso hindu escrito em sânscrito. Esse livro, mais do que os outros, parecia para Gandhi conter a Verdade.
Ele, também, estudou a vida de grandes líderes religiosos como Maomé e Buda.
Então, Gandhi começou a ter suas próprias ideias baseadas no estudo de todas as religiões.
Porém, ele sentiu que o caminho mais natural para alcançar Deus era por meio do próprio Hinduísmo.
Depois, de três anos na Inglaterra, o jovem advogado voltou para Índia. Mas, por volta de vinte e um anos, ele trabalhou na África do Sul que era como a Índia, uma colônia Britânica.
Primeiramente, ele viveu o sucesso de um jovem advogado, mas a vida começou a ficar difícil para os indianos na África do Sul.
Ou seja, eles não podiam viajar livremente pelo país e nem eleger os seus próprios líderes.
Gandhi tentou ajudar os indianos da África do Sul, lutando pelos seus direitos nos tribunais. Ele tinha grande fé no sistema britânico de leis.
Lamentavelmente, passaram-se anos sem muito progresso para as condições dos indianos.
Portanto, Gandhi experimentou novos caminhos para conseguir os seus direitos.
Em 1904, ele fundou o seu primeiro jornal, “Indian Opinion” (“Opinião Indiana”) para educar e unir as pessoas.
Em 1907, Gandhi organizou o primeiro grande movimento para se livrar de uma lei injusta. Ele pediu para o seu povo desobedecer à lei, mas não prejudicar ninguém.
Ou seja, eles resistiam à força das armas com a força da verdade, sem ódio e sem violência!
Eles poderiam morrer pela causa, mas jamais matar!
Mesmo assim, muitos foram presos e enviados para a prisão, inclusive, Gandhi foi preso várias vezes.
Porém, os indianos na África do Sul não desistiam de lutar pelos seus direitos por meio de ações pacíficas contra as leis injustas.
Gandhi, finalmente, volta para a Índia em 1914. Ele era o líder que esse país precisava para que houvesse união entre o povo indiano.
Ele não pertencia a nenhum partido ou grupo religioso, portanto, todos os indianos eram os seus irmãos.
Embora, Gandhi tenha sido preso, ele apoiou o governo britânico em tempo de guerra e era respeitado pelos governadores britânicos.
Gandhi tinha quarenta e cinco anos e por alguns anos, ele quase se esqueceu da vida pessoal e da família para ajudar o seu povo.
Ele se tornou o líder do Congresso Nacional Indiano que tentava se tornar completamente independente da Grã-Bretanha.
Então, ele começou a viajar muito e a pé. E ele usava roupas de algodão simples, que ele próprio tecia, e ele se hospedava na parte pobre das cidades.
Ou seja, logo, ele conseguiu milhões de seguidores entre a população da Índia. Eles o consideravam um homem santo e pobre como eles próprios.
Gandhi começou a encorajar as pessoas a desobedecer às ordens do governo, como aconteceu na África do Sul.
Os oficiais britânicos reagiam duramente e Gandhi, frequentemente, era preso.
Em 1919, ele reuniu as pessoas em uma manifestação denominada “Desobediência Amorosa” contra o governo britânico.
Gandhi sempre pedia aos seus seguidores para evitar a violência.
As multidões enfurecidas se manifestavam em várias cidades.
Finalmente, na cidade de Amritsar, na Índia, os soldados britânicos foram autorizados a atirar numa multidão sem defesa.
379 pessoas foram mortas e muito mais pessoas foram feridas!
Gandhi, obviamente, ficou muito triste, mas preparou os indianos para enfrentar a morte se fosse necessário.
E ele disse aos seus inimigos: “Seu inimigo é o seu irmão insensato. Ajude-o quando ele estiver ferido. Desobedeça-o se ele tentar machucar você. No final, nenhum inimigo é forte ou cruel o suficiente para resistir ao fogo do amor. Sua batalha terá sido vencida quando você matar o ódio no coração do seu inimigo”.
A Índia se tornou independente, finalmente, em 1947, depois de um grande esforço.
De uma só vez, 23 mil pessoas foram presas no dia da independência!
Gandhi estava triste e sentia pouca felicidade. Pois, assim que derrotaram o seu inimigo comum, os hindus e muçulmanos se voltaram uns contra os outros.
Houve briga com muitos atos de violência e terrível crueldade.
Enfim, não havia um país independente, mas países rivais, isto é, Índia e Paquistão.
Os ensinamentos baseados no amor que Gandhi sonhou foram esquecidos!
Gandhi sempre orava para acabar o ódio e o ciúme entre os Hindus e os Muçulmanos. Então, ele decidiu fazer greve de fome até que houvesse um acordo entre eles.
Um jovem Hindu saiu correndo de uma multidão e atirou nele no estômago. Gandhi caiu de joelhos como se estivesse em oração e morreu quase imediatamente.
Seu coração estava triste e pesado por causa da sua terra nativa, a Índia, quando ele morreu. Porém, o sonho dessa Grande Alma, Mahatma Gandhi, por uma sociedade mais justa e pacífica, sobrevive no coração dos seus seguidores até hoje.

“A única revolução possível é dentro de nós”.
Mahatma Gandhi (1869-1948), líder pacifista indiano.

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