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Messias e dosimetria foram derrotas que apontam para o fim de Lula? – por Reinaldo Polito

Lula jamais havia sofrido tamanha derrota no Congresso. Foi traído pelos políticos da própria base? Escolheu mal o candidato ao STF (Supremo Tribunal Federal) ou o momento não era o mais adequado? E o veto ao PL da dosimetria, estava em sintonia com as aspirações da população? Por isso, às vésperas das eleições, os parlamentares acharam conveniente derrubá-lo?

Nesses dois dias já se ouviu de tudo. Alguns dizem que o fato de o Senado ter recusado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no STF, e a derrubada do veto ao projeto da dosimetria são sinais claros de que Lula 3 já acabou e que as chances de Lula 4 foram seriamente abaladas.

Flávio Bolsonaro, principal adversário do presidente na corrida presidencial, disse que “a derrota de Messias é sinal de que o governo Lula acabou”. É preciso considerar que essas palavras foram proferidas por um concorrente que tem todo interesse em fragilizar a imagem do seu competidor. Ainda assim, não deixa de ser uma avaliação plausível.

Jogando para perder

Outros, ao contrário, afirmam que Lula jogou para perder. Sabia que o nome de Messias não passaria pelo Senado, mas insistiu mesmo assim, de propósito, pois agora teria condições de indicar quem realmente desejava, o senador Rodrigo Pacheco.

Fica difícil acreditar nessa hipótese, já que o candidato preferido de Alcolumbre, como não é novidade para ninguém, sempre foi Pacheco. Recusar Messias e derrubar o veto da dosimetria parecem ter sido, de fato, uma retaliação por sua vontade ter sido preterida. Se foi isso mesmo, Lula provocou a pessoa errada.

Seria uma estratégia?

Por mais iluminados que sejam os arquitetos das diretrizes políticas do presidente, quem acredita que tenham imaginado tantas jogadas à frente nesse verdadeiro tabuleiro de xadrez? Parece mais um esforço narrativo para justificar as derrotas contundentes de Lula nesses episódios.

Lula perdeu. Ponto. E perdeu novamente. Ponto. As suas chances de emplacar um quarto mandato, que já se mostravam mais distantes pelos resultados das últimas pesquisas, com essa demonstração de fragilidade na articulação política dentro do Congresso, agora parecem ter sofrido um abalo ainda mais profundo.

Alcolumbre muda o jogo

Alcolumbre é macaco velho. Durante esses anos, manteve uma relação de estreita convivência com Lula e com o STF. Engavetou pedidos de impeachment de ministros e impediu que a oposição conseguisse aprovar seus pleitos. Usou o poder do cargo para obter o que desejava. Por mais que esperneassem, esbravejassem, ameaçassem, permaneceu firme no seu posto, com o regulamento debaixo do braço.

Ao se aproximar a data das eleições, provavelmente avaliou o novo cenário que se avizinha e passou a fazer cálculos mais cuidadosos para permanecer na presidência do Senado. Pelas últimas pesquisas, os conservadores tendem a ampliar sua presença no Congresso, e Flávio Bolsonaro ganha posições a cada novo levantamento de intenção de votos. Por isso, se desejar se manter no comando da Casa, precisará dialogar com esse grupo.

Um erro pode ser fatal

Segundo se comenta nos bastidores, esses resultados negativos para o governo ocorreram com forte influência de Alcolumbre. Teria atuado para que a vontade da oposição prevalecesse. Dessa forma, tenta agradar os conservadores e o próprio Flávio, buscando se cacifar para permanecer por mais um mandato à frente do Senado.

Quantos fatores podem ser observados dentro dessa equação. Para alguém prever todos esses desdobramentos, seria preciso uma capacidade fora do comum. Um erro de cálculo, um ponto fora da curva, pode pôr qualquer plano de poder por terra.

Permanecer no poder

Os políticos não param de pensar. A todo instante elaboram estratégias que os favoreçam. A cada etapa, reavaliam os rumos das ações e ajustam os movimentos, de tal forma que, por caminhos ou descaminhos, no fim, consigam atingir o que desejam: a manutenção do poder que possuem ou a conquista de mais espaço.

Só saberemos o resultado depois que tudo acontecer. Por enquanto, resta acompanhar o jogo e tentar entender, passo a passo, cada uma das jogadas. A pergunta que fica é outra: será que os próprios jogadores conseguem calcular as consequências dos seus lances atuais?

Siga pelo Instagram: @polito

Reinaldo Polito é Mestre em Ciências da Comunicação e professor de oratória nos cursos de pós-graduação em Marketing Político, Gestão Corporativa e Gestão de Comunicação e Marketing na ECA-USP. Presidente Emérito da Academia Paulista de Educação. Escreveu 36 livros com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos em 39 países.

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