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A desimportância do outro

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A absoluta desimportância que algumas pessoas ( muitas, muitas, muitas!) estão dando ao outro tem crescido e espantado.

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em

Photo: Shutterstock
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As pessoas, simplesmente, desprezam o cidadão que vive ao seu lado, que transita na rua, que usa os transportes lotadérrimos, que ficam atrás de um balcão, que precisam de calçadas, de faixas de travessia. “Amar os outro”, como manda o catecismo católico está ficando fora de moda. Já não digo nem “amar” – o esforço para isso deve ser sobre humano para muitos! – mas respeitar, entender, ajudar, acatar, prezar o cidadão que o catecismo chama de “o próximo”.

Que vai ser do mundo do futuro se as pessoas não se corrigirem?

E o que é que deu nesta velha jornalista, hoje, para introduzir esse tema assim, sem mais nem menos, sem preparo ou aviso? Pois não é que o detonador desses pensamentos foi um cachorro?

Explico: há uma semana fui mordida por um cão de porte médio dentro de um restaurante. O dono do animal e sua linda namorada o tinham na trela, perto da mesa, sem focinheira, eu ia passando e… nhoue! Fez o bicho na minha perna. Enfurecida quase mandei uma bengalada na cabeça da namorada, gritando que o cachorro não tinha culpa, quem tinha culpa eram eles, os donos do bicho.

Depois de cuidar do ferimento, ir ao Instituto Emílio Ribas, tomar vacina antirrábica e contra tétano, depois de alguns dias mancando e sofrendo dor intensa é que me veio este pensamento: quem leva cachorro que morde os outros a restaurante, sem focinheira não está nem aí para o seu próximo! Que morda, o bicho! Que o bicho morda quanto quiser e pronto, nada lhes tira o prazer de levar seu animal a um restaurante. Não podem ficar nem algumas horas sem o bicho de estimação e os outros que se lixem, ou melhor, os outros que partam para o Emílio Ribas e lambam suas feridas!

É só? Nada! No meu bairro tem alguns condomínios que plantaram palmeiras gigantescas – os troncos parecem patas de hipopótamos, as ditas cujas são plantadas bem perto umas das outras, o pedestre que ande na rua, pombas!

No mesmo bairro há uma rua movimentada, passa ônibus, passa caminhão, carro, moto, recolha de lixo, mas um borracheiro troca os pneus que lhes aparecem no meio da rua. Emperra o trânsito! Pedestres andam na rua por que a calçada é do borracheiro e carros e ônibus que esperem ele terminar o serviço! Desrespeito! Abuso! Desrespeito também de fiscais da Prefeitura, do Detran, de sei lá o quê que não multam o dono da rua!

Desprezo com o outro tem o motorista que passa no sinal vermelho, que ultrapassa em lugares proibidos, que “fecha” e xinga quem os impede de dar ao seu carro a velocidade que desejam e precisam e acham que têm o direito de usar.

Desacato com o outro tem o motorista de taxi que toca funk na orelha do passageiro ( essa eu li no face book na página do jornalista Carlos Marchi, que desceu do carro e procurou outro taxi).

Desrespeito homicida tem o motorista de ônibus que dá partida antes que todos os velhinhos e velhinhas entrem no coletivo. Pouco caso com seu semelhante tem quem joga lixo na rua, joga sofás velhos nos córregos, joga aros de bicicletas nos rios, despeja esgoto em ruas onde brincam crianças e nesse caso já me parece tentativa de assassinato, isso quando eles, os assassinatos, não acontecem de verdade: tem gente morrendo por causa de esgoto em córregos e nas ruas.

É tanto desrespeito, é tanto desacato, é tanto pouco caso e falta de amor ao próximo neste mundo de Jesus Cristo que o próprio, se voltasse, ia sair chicoteando como fez no templo, só que agora teria que sair chicoteando pelas ruas. A torto e a direito. (Volta, Cristo, volta!)

O pior de tudo é que esses insensíveis, donos da verdade, donos do mundo são aqueles que votam nessa escória de políticos que estão aí. Votam no semelhante. E os semelhantes se instalam no congresso, nas câmaras municipais, nos palácios e toca a desprezar o povo, que então se transforma no outro. E esse outro é desimportante.

Vemos, todos os dias, casos de pouco caso – às vezes até ódio! – contra o outro. E o outro somos nós todos.

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