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O ESTADISTA DA TRANSIÇÃO por Almir Pazzianotto Pinto

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                        Jamais poderia deixar de oferecer ao presidente José Sarney um exemplar do meu livro Greve – Grevismo na Nova República. S. Exa. é personagem central dos acontecimentos, relatados com fidelidade, e documentados pelos grandes e pequenos jornais, emissoras de rádio e televisão.

                        O dr. José Sarney foi presidente da República contra o seu desejo. Concorreu no Colégio Eleitoral, como vice do presidente Tancredo Neves, para lhe assegurar os votos dos dissidentes da Aliança Democrática Nacional (Arena), inconformados com a candidatura de Paulo Maluf.

                        No entardecer de 14 de maio de 1985, estávamos preparados para a mudança de governo no dia seguinte, pela manhã. Foi concorrida a missa de Ação de Graças celebrada no Santuário Dom Bosco, com a presença do presidente eleito e sua família e integrantes do ministério, entre os quais eu me encontrava, em companhia da esposa e filhos.

                        A internação do Dr. Tancredo no Hospital de Base colheu o Brasil de surpresa. Não poderia haver notícia pior naquele momento. Eu, modesto coadjuvante dos acontecimentos, fiquei apreensivo. Demorou algumas horas para que lideranças civis e militares concluíssem que tomaria posse o vice-presidente José Sarney, olhado com reservas pelos radicais do PMDB. Preferiam o presidente do partido e da Câmara dos Deputados, dr. Ulysses Guimarães.

                        Muito já se escreveu sobre aquele período. Devo dizer, porém, que estava decidido a não incorrer no erro de Ministros do Trabalho anteriores, que fizeram da intervenção o meio de defesa contra greves ilegais e violentas. À frente do Ministério, procurei estabelecer clima de confiança entre a Nova República e o movimento sindical. Recusei-me a olhar de forma diferente representantes da direita e da esquerda. Anistiei dirigentes cujos mandatos haviam sido cassados. Dispensei igual tratamento a CUT e à CGT.

                        Desde o início contei com o apoio do presidente José Sarney. Ficou ao meu lado quando tentaram me derrubar. Contei com a solidariedade de ministros como José Hugo Castelo Branco, Fernando Lira, Pedro Simon, Aureliano Chaves, Marco Maciel, Aluísio Alves, Ronaldo Costa Couto, José Aparecido de Oliveira, Afonso Camargo, Leônidas Pires Gonçalves, Júlio Otávio Moreira Lima.

                        Varias reformas ministeriais ocorreram. Nenhuma delas me alcançou. Entre os adversários do Ministério do Trabalho destaco o Partido dos Trabalhadores (PT) e a Central Única dos Trabalhadores. Declararam guerra à Nova República. Boicotaram o Diálogo Social e inviabilizaram os planos econômicos, com milhares de greves e milhões de horas paradas.

                        Do presidente José Sarney tenho as melhores lembranças. Foi ele o Estadista que conduziu, com paciência e perseverança, a travessia do Regime Autoritário para o Estado de Direito Democrático, concluída com a promulgação da Constituição de 5 de outubro de 1988.

                        A carta que acabo de receber, é a prova do seu reconhecimento.

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