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Política

O JAIR, É ÓBVIO, NÃO BATE BEM por José Aparecido Miguel

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Exceções à regra, a imprensa e a sociedade brasileira em geral tratam o lamentável ex-presidente Jair Bolsonaro como uma pessoa normal. Não é, faz muitos anos. O Bolsonaro real é pouco divulgado. Seu nome, ao ser citado, mereceria permanentemente um aposto. Exemplos: Bolsonaro – que teria desenhado o croqui  de  onde uma bomba seria colocada na Adutora do Guandu, que abastece de água ao município do Rio de Janeiron a Adutora do Guandu, para reivinndicar aumento  de  salário – (…) ou Jair  Bolsonaro – que o Conselho de Justificação Militar (CJM) considerou, em 19 de abril de 1988, que fosse “declarada sua incompatibilidade para o oficialato e consequente perda do posto e patente, nos termos do artigo 16, inciso I da lei n.º 5.836/72” – (…) O perigo Bolsonaro foi negligenciado por seus pares, os militares. À vontade, ainda em 1988, Bolsonaro foi para a reserva, com a patente de capitão e, no mesmo ano, iniciou sua carreira política, concorrendo a vereador do Rio de Janeiro, como mostra a Wikipédia. Em 1986, quando já servia como capitão, no 8.º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, Bolsonaro foi preso por quinze dias após escrever, na seção “Ponto de Vista” da revista Veja de 3 de setembro de 1986, um artigo intitulado “O salário está baixo”. Para Bolsonaro, o desligamento de dezenas de cadetes da AMAN (Academia Militar de Agulhas Negras, em Resende, RJ) se devia aos baixos salários pagos à categoria de uma forma geral, e não a desvios de conduta, como queria deixar transparecer a cúpula do Exército. A atitude de seus superiores levou à reação de oficiais da ativa e da reserva, inclusive do general Newton Cruz, ex-chefe da agência central do Serviço Nacional de Informações (SNI) no governo João Figueiredo. (…) Pois é!  Foi absolvido pelo Superior Tribunal Militar (STM) dois anos depois. Bolsonaro teria desenhado o croqui de onde a bomba seria colocada na Adutora do Guandu, que abastece de água ao município do Rio de Janeiro. A revista Veja entregou o material ao então Ministro do Exército e este, após quatro meses de investigação, concluiu que a reportagem estava correta e que os capitães (Bolsonaro e Fábio Passos da Silva) haviam mentido.  Por unanimidade, o Conselho de Justificação Militar (CJM) considerou, em 19 de abril de 1988, que Bolsonaro era culpado e que fosse “declarada sua incompatibilidade para o oficialato e consequente perda do posto e patente, nos termos do artigo 16, inciso I da lei n.º 5.836/72”. Em sua defesa, Bolsonaro alegou na época que a revista Veja tinha publicado acusações fraudulentas para vender mais com artigos sensacionalistas. O STM absolveu os dois oficiais, que assim foram mantidos nos quadros do Exército. Ainda em 1988, Bolsonaro foi para a reserva, com a patente de capitão e, no mesmo ano, iniciou sua carreira política, concorrendo a vereador do Rio de Janeiro. O laudo da Polícia do Exército, no entanto, seria mais tarde corroborado pela Polícia Federal, que confirmou a caligrafia de Bolsonaro. Atualmente, Bolsonaro aposta na impopularidade do Supremo Tribunal Federal (STF) e conta com corrente no Congresso para peitar a Corte. Parlamentares ecoam em parte uma disseminada visão crítica do Judiciário em geral e do STF em particular em amplos setores da sociedade, opina William Waack em O Estado de S. Paulo, onde se lê, também, o editorial “A semântica do golpe”. Pode-se discutir se Bolsonaro de fato tentou um golpe, se apenas o preparou ou se só o acalentou, mas é indiscutível que a ruptura democrática sempre esteve no horizonte bolsonarista.  O fato incontestável é que, a julgar pelo que veio à luz até agora, havia notável ânimo golpista no governo passado. Não se trata de opinião. Ao longo de mais de três décadas de vida pública, jamais houve por parte de Bolsonaro uma só demonstração de apreço sincero pela ordem constitucional vigente, por mais encabulada que fosse, escreve o jornal. “Muito pelo contrário. Bolsonaro é um golpista de corpo e alma. O mau militar, que deixou o Exército em desonra em 1988, nunca fez as pazes com a redemocratização do País”. “Por isso, é um escárnio Jair Bolsonaro convocar um “ato pacífico” na Avenida Paulista, previsto para o próximo dia 25, “em defesa do nosso Estado Democrático de Direito” – o mesmo que ele desejava abolir e o mesmo que ele gostaria de ver negado a seus adversários, como deixou claro nas reiteradas vezes em que defendeu até o fuzilamento de quem se lhe opusesse”. (“Estão dadas as condições para a prisão preventiva de Bolsonaro”, diz jurista Fernando Fernandes ao site Brasil247. Jurista avaliou o evento convocado pelo ex-mandatário para 25/2 na Avenida Paulista como uma “continuidade delitiva” em relação aos ataques às instituições.)  Para O Estado de S. Paulo, o objetivo do ato é tão escancarado que nem o ex-presidente tergiversou. “Mais do que discursos, (o importante é) uma fotografia de todos vocês (…) para mostrar para o Brasil e para o mundo a nossa união”, disse Bolsonaro em vídeo divulgado por suas redes sociais. Ora, o que é isso senão uma tentativa – mais uma – de estimular a hostilidade de parte da sociedade contra o STF, que no futuro próximo haverá de julgá-lo? (…) Portanto, está-se diante de mais um ato de insubmissão do ex-presidente ao mesmo Estado Democrático de Direito – que tem no devido processo legal um de seus pilares mais sólidos – que ora ele diz querer defender”. O jornal conclui o editorial assim: “No mais, enquanto os juristas se entregam à discussão sobre as vírgulas das acusações contra Bolsonaro, não há dúvida de que, no julgamento moral, o ex-presidente já foi condenado há muito tempo”.

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