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O jeitinho brasileiro é um sinal de inovação? – por Paulo Pandjiarjian

Muito se fala em inovação hoje em dia. Empresas criam laboratórios, programas, metodologias e estruturas para estimular pessoas a pensar diferente, resolver problemas e encontrar novos caminhos. Mas talvez exista uma característica cultural brasileira que, embora quase sempre vista de forma pejorativa, tenha alguma proximidade com essa capacidade: o chamado jeitinho brasileiro, frequentemente associado à gambiarra.

Na vida pessoal, o jeitinho aparece quando encontramos uma solução possível diante de uma situação para a qual não existe uma resposta pronta. Improvisamos, adaptamos recursos, combinamos alternativas e fazemos funcionar. Existe aí uma capacidade de pensar fora das soluções convencionais, identificar possibilidades onde outros enxergam apenas obstáculos e transformar restrições em oportunidades.

No ambiente corporativo, porém, essa característica pode assumir dois caminhos completamente diferentes. Quando significa simplesmente contornar regras, processos ou responsabilidades, o jeitinho produz ineficiência, risco e, muitas vezes, problemas éticos.

Mas quando representa a capacidade de questionar padrões, experimentar alternativas, utilizar recursos de maneira criativa e encontrar soluções mais simples para problemas complexos, ele começa a se aproximar de algo que as empresas chamam de inovação.

A diferença fundamental está no método e no propósito. A gambiarra resolve o problema de hoje; a inovação procura entender por que o problema existe, testar uma solução, medir seus resultados e, se funcionar, transformá-la em algo replicável. O improviso pode ser o ponto de partida, mas inovação exige aprendizado, processo e capacidade de transformar uma boa ideia em valor.

Talvez, portanto, o jeitinho brasileiro não seja necessariamente o oposto da inovação. Ele pode ser uma espécie de matéria-prima cultural para ela. Nossa facilidade de improvisar, adaptar e encontrar saídas pode ser uma vantagem competitiva, desde que deixemos de celebrar apenas a capacidade de “dar um jeito” e passemos a desenvolver a capacidade de transformar esse jeito em solução, método e resultado.

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