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O objetivo do crime eleitoral petista na Sapucaí não é promover Lula – por Ricardo Cavalcanti

Muita gente está tratando o que aconteceu na Sapucaí como mera propaganda eleitoral antecipada. Como mais uma peça de marketing político financiada com recursos públicos. Como tentativa de angariar votos. Mas essa leitura é superficial.

Num regime normal, uma ação dessas seria analisada sob o prisma eleitoral. Num regime totalitário, votos são detalhe. O que está em jogo não é convencimento. É demonstração de força.

O evento bancado com dinheiro público não teve como finalidade central promover candidatura. Teve como finalidade exibir poder. Exibir controle absoluto sobre o sistema. Exibir a certeza de impunidade.

A mensagem é simples: podemos cometer qualquer crime eleitoral, podemos utilizar recursos públicos de forma escancarada, podemos transformar um espaço cultural em palanque ideológico — e nada acontecerá.

Enquanto isso, você, opositor, será censurado por expressar opinião. Será perseguido por publicar fatos. Será punido por relembrar escândalos já julgados pela história.

Nas últimas eleições, bastava mencionar a proximidade de Lula com o regime venezuelano para sofrer censura. Bastava relembrar os esquemas da corrupção petista para ter conteúdo removido. Um documentário sobre a facada em Bolsonaro foi retirado do ar. A participação em um evento cívico virou argumento para inelegibilidade. Uma reunião com embaixadores foi tratada como atentado institucional. Criou-se o “golpe imaginário”.

Agora, diante de um ato explícito de propaganda financiada com recursos públicos, a resposta institucional é o silêncio.

E por quê? Porque quem controla o sistema define o que é crime e o que é narrativa.

Mais do que isso: o espetáculo não apenas exibe poder. Ele ridiculariza. Ele humilha. Ele trata conservadores, famílias e evangélicos como caricatura. Como lixo. Como algo que pode ser esmagado e exposto publicamente sem consequência.

A prisão do principal líder da oposição, sua exposição pública como símbolo de escárnio, não é apenas punição política. É pedagogia do medo. É aviso.

A mensagem final é clara: cabe a você baixar a cabeça, pagar a conta e aceitar.

Aceitar que o dinheiro público financie a festa do regime. Aceitar que a censura recaia apenas sobre um lado. Aceitar que a lei não seja universal.

Esse tipo de evento não busca aplauso. Busca submissão.

E enquanto a sociedade continuar tratando demonstrações de força como simples propaganda eleitoral, continuará errando o diagnóstico do que realmente está em curso.

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