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Segurança

POLICIAIS MORRENDO NO COMBATE AO CRIME E A SOCIEDADE ASSISTE INERTE por Jorge Lordello

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Em 2021, 142 policiais morreram em confrontos com a bandidagem no Brasil. No ano seguinte, o número saltou para 173 agentes da segurança pública assassinados.

Em 2023, apesar de os dados estatísticos ainda estarem incompletos, posso asseverar que cerca de 200 policiais perderam a vida.

O prognóstico para 2024, levando-se em consideração os primeiros dias do ano, indica que terminaremos com 250 policiais vítimas de homicídio.                                                             

No Reino Unido, em 2022, nenhum policial britânico teve a vida ceifada por marginais. No Chile, país da América do Sul, vizinho do Brasil, nesse período, 3 policiais tombaram em confronto.

O Brasil deveria  tratar com mais respeito aqueles que protegem seus cidadãos, oferecer melhores condições de trabalho, remunerar adequadamente e, acima de tudo, dar aos policiais a dignidade e carinho que merecem por exercer uma das mais difíceis e vitais profissões.

O policial, num ato de abnegação e por voto de profissão, se propõe a arriscar sua vida para salvar a de outra pessoa; quais outras profissões assumem esse risco? 

Ah! mas não é só isso, afinal, o que faz um policial?

Protege as pessoas, todo mundo sabe. Se houver um assalto, um homicídio, um sequestro ou outro crime, lógico, é coisa pra polícia resolver.

Epa, e por que chamam a polícia quando alguém tenta se suicidar?                             

E a mulher grávida prestes a dar à luz em plena rua e chamam a rádio patrulha e, vira e mexe, o policial faz um parto e se torna padrinho.

Ah! coisa de polícia, como discussões fúteis entre vizinhos, de criança assustada em casa, de jovem drogado que não retornou ao lar, o pet que desapareceu, de pessoas carentes sofrendo de solidão, e tem mais, muito mais coisas pra polícia.

Haja treinamento, paciência e dedicação!

Mesmo assim, apesar de tudo isso, o policial, seguramente, é o profissional mais fiscalizado pela sociedade. Tem que ser, no mínimo, absolutamente perfeito para receber um mero cumpriu seu dever e nada mais.

Em contrapartida, responde por seus atos a seus superiores hierárquicos, às corregedorias, ao ministério público, que por algumas vezes procura pelo em ovo, aos juízes super garantistas, aos advogados que pleiteiam e procuram imperfeições e aos jornalistas, que a tudo vasculham.

Mas tem mais; responde a si próprio quando a ocorrência gera dor à vítima e sua intervenção não foi o suficiente para impedir a morte de um inocente.     

Por outro lado, uma reflexão merece atenção:

Quem se importa, verdadeiramente, com a morte de um policial?

Se eu fizer essa indagação para policiais da ativa e aposentados, teremos, em sua totalidade, a seguinte resposta:

“Somente nossos familiares se importam e se preocupam com nossas vidas”.

O leitor por acaso se lembra de alguma manifestação popular nas ruas em razão do assassinato de policial em serviço?

Eu não me recordo!

E quando o policial é processado, injustamente, pela justiça criminal, por causa de mentira deslavada dita durante audiência de custodia, quem o ajuda a custear advogado para defendê-lo?

A verdade nua e crua é que todos os gastos sairão do bolso do próprio policial; em alguns casos, com ajuda financeira de colegas de serviço inconformados com o drama vivido pelo parceiro de profissão.

É comum ouvir comentários que o policial ganha pouco em razão da atividade de alto risco que exerce. Muitos dizem, da boca para fora, que policiais deveriam ganhar muito mais.

Mas qual movimento popular foi às ruas lutar por melhorias salariais aos agentes públicos da área de segurança?

As únicas reuniões em praças e avenidas são promovidas pelas entidades de classe, que sozinhas, não têm força alguma. 

E os policiais que não foram mortos, mas sofreram sequelas gravíssimas como a perda dos membros inferiores e superiores, quem se propõe a ajudá-los?

Posso dizer que a grande maioria que colabora com vaquinhas virtuais em prol de policiais lesionados gravemente em serviço, são os policiais mais próximos da vítima lesionada. 

Mas, mesmo com toda essa falta de reconhecimento e adversidades, policiais saem às ruas, diariamente, e, muitas vezes, trocam tiros com marginais para defender vítimas totalmente desconhecidas. 

Uma coisa tem que ser dita e entendida: policiais não arriscam suas vidas em busca de reconhecimento de quem quer que seja.

A única explicação, a motivação maior, é a vocação. É o amor pela difícil, imprescindível e incompreendida profissão. 

           

JORGE LORDELLO

Doutor Segurança

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