(Na foto, sou o baixinho. O segundo jogador da esquerda para a direita é o Liminha. O quarto, Rodrigues. O último, o Odair).
É isso mesmo!
Pessoas mudam de nacionalidade, países de nome, e até alguns times de futebol como é o caso do Palmeiras, que na sua fundação chamava Palestra Itália.
Começo esta crônica com a frase acima porque volta e meia, nos botecos da vida, quando surge a pergunta “qual time você torce?”, eu digo, estufando o peito:
– Juventus da Mooca, meu…
Diante da curiosidade dos amigos conto toda a história.
Bem pequeno virei corinthiano por influência de uma tia, que foi ajudar minha mãe logo que eu nasci. Era a Tia Irene, torcedora fanática do Coringão.
Nessa época, meu pai, entre diversas atividades que incluía dois taxi dancings na Av. Ipiranga, recebeu a concessão para administrar o Ginásio do Pacaembu.
Eu tinha nessa época 5 anos de idade e por ser filho temporão, meu pai me curtia muito. E me levava para todos os lugares de trabalho.
Pelo menos umas duas vezes por semana ele era obrigado a comparecer ao Pacaembu. E eu grudado nele.
Certa vez eu estava brincando com o Oswaldinho, filho do Nunes, que era administrador do Pacaembu. E junto do meu pai que conversava com vários amigos. Num determinado momento um deles pergunta:
– Ei Mário, teu filho Marinho torce para que time?
– Ele é corinthiano…
Um certo silêncio até que o amigo diz:
– Mário, faça o seguinte. No próximo domingo jogam Corinthians e Palmeiras. Você compra o uniforme do Palmeiras para o teu filho que ele vai entrar como mascote.
E assim foi feito!
E meu pai, sempre muito carinhoso e cuidadoso, comprou também um uniforme para meu amigo para entrarmos em campo no domingo seguinte.
Eu tinha uns 4 ou 5 anos e o meu amigo uns 7. E o ano era aproximadamente 1949 pois não tenho a data exata.
Assim foi feito! Devidamente uniformizados, entramos em campo com os craques da equipe esmeraldina!
Junto com os craques saudamos a torcida e fomos para as fotos de praxe.
Terminado o jogo, o primeiro impacto que senti foi logo na saída do estádio com vários amigos de meu pai me saudando como…palmeirense! e que continuou por toda a semana, meses e anos. Ou seja na inocência da minha meninice o mundo decretou que eu era palmeirense e não corinthiano! E de quebra, minha tia ficou furiosa com meu pai. E a chapa esquentou em casa por vários dias.
Vida seguindo e eu confuso porque já não sabia ao certo o que eu era.
Até que 15 ou 16 anos depois, trabalhando na Editora Abril, contratei um rapaz para me ajudar. José Luiz Braz. Logo ficamos amigos e ele um corinthiano fanático que não perdia um único jogo no Pacaembu. Acabei contando minha confusa identidade futebolística e já, na semana seguinte, aparece o Zé Luiz com duas bandeiras do Timão.
– Essa é para você! Estou rebatizando o meu chefe.
E naquela mesma noite fomos a um jogo do Corinthians.
E por longos ANOS permaneci corinthiano até que…
Numa próxima crônica conto o que houve!
FRASE DE BOTECO
“Quero agradecer à Antarctica pelas Brahmas que mandou de graça pelo nosso aniversário”.
Vicente Matheus
Ex-presidente do Corinthians












