“Vamos fugir, baby, para outro lugar, que você me carregue…” Lá foi ele, o candidato, sem vassoura, mas de jatinho; digamos, fugiu como o diabo foge da cruz, na expressão de alguém que se manda com medo, rápido e desesperado. Por exemplo, de uma derrota. Boo!
Até meio que combinando com a data do Halloween, Dia dos Mortos, que se popularizou aqui no Brasil e que também significa uma passagem de tempo, renovação, assistimos a um verdadeiro show. Primeiro, a virada. Ufa. Depois, a festa e a diversão em memes impagáveis sobre aquele – o derrotado, a alma penada, que antes já cantava de galo no alto da montanha. Mas, admitamos, creio que nem os seus aliados e simpatizantes esperavam um desfecho tão vergonhoso como a fuga na calada da noite para os Estados Unidos. Pior, com travessuras, como a carta divulgada – depois rasurada – se autodeclarando presidente eleito, depois “líder” de um tal Brazil, com z.
Ele ficou bem doido mesmo, e deixou para trás, boquiabertos, sua turma, que agora corre tipo barata voa para se reorganizar, disfarçar, muito poucos ainda tentando justificar o desatino. Outros correndo para tentar um lugarzinho no colo do próximo governo. Alguns se fazendo de múmias, estáticas. Simpatizantes disparando terror, violência e insanidades nas redes sociais, entre elas propondo boicotes e demissões como se tivessem algum direito para tal.
Esse episódio não estará morto e enterrado ainda por um bom tempo, embora já tenha passado para a história do país, e a biografia do indigitado e o seu sobrenome ainda mais maculado do que imaginaríamos, e conseguindo isso da forma ainda mais covarde do que as suas declarações e atos durante a campanha, que felizmente acabaram por acender a intuição de muitos sobre o perigo que representaria se eleito para o comando da nação. Nunca algo foi comprovado tão rapidamente, embora a fuga tenha sido para escafeder-se, pior, não pela campanha, mas por processos bem feios de acusação de lavagem de dinheiro que já sopravam sua nuca. Pelo que parece, inclusive, bastante reais e justificáveis.
Assim, nas inúmeras festas de Halloween programadas para esses dias, e na anual caminhada dos zumbis (Zombie Walk) nas ruas do centro de São Paulo, não será difícil reconhecer algumas fantasias, e certamente zumbis zoando e zombando com o evadido. Não se assuste, portanto, se encontrar por aí um monte de “Xandões”, ou ogros de peruca, uns peruca preta de Milei, outros de peruca Trump, mais palhaços pavorosos Nikolas Ferreira, bruxas “eduardas campopiano”, e até “Tarcísios”, só com um olho de fora como na foto que ficou famosa durante a apuração. As barraquinhas de comida de rua podem até adicionar ao cardápio aquele pãozinho coberto de leite condensado, iguaria boa para a larica e com a qual a tal família na época recebeu os visitantes oficiais americanos quando foram eleitos e nos apavoraram, diariamente e na pandemia. Agora, parece, bem apavorados estão eles, com os seus próprios fantasmas. Boo!

MARLI GONÇALVES – Jornalista, cronista, consultora de comunicação, com passagem por alguns dos principais veículos, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br











