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Ainda dá tempo para tirar o visto e ir para Copa, mas planejamento para ver os jogos de 2026 é fundamental – por Leonardo Leão

A contagem regressiva para a Copa do Mundo nos Estados Unidos já vem movimentando brasileiros que desejam viver de perto o maior evento esportivo do planeta. Seja o torcedor que planeja assistir aos jogos, os próprios jogadores, profissionais de imprensa e influenciadores produzindo conteúdo ou as equipes de apoio, a realidade é uma só: tempo é o recurso mais escasso para tirar o visto e conseguir fazer a viagem sem obstáculos. Embora o Departamento de Estado ainda registre janelas de disponibilidade, o sistema consular opera com uma sensibilidade que exige ação imediata.

A recomendação técnica é clara: o momento de iniciar o processo é agora. O conforto de deixar para o segundo trimestre de 2026 tornou-se um risco inaceitável. O sistema é funcional, mas o cenário de aprovação não é automático e depende de um rigoroso cumprimento de requisitos que muitos negligenciam até que seja tarde demais.

O maior risco, particularmente para a categoria B1/B2, continua sendo a recusa por insuficiência de comprovação de vínculos com o Brasil que superem a presunção de imigrante, fundamentada no INA 214(b). É comum a falsa percepção de que, após uma negativa, basta uma nova tentativa rápida. O material oficial da Embaixada dos EUA esclarece que, embora não exista prazo mínimo para reaplicar, tentar novamente sem uma mudança real e fundamentada nas circunstâncias pessoais raramente resulta em um cenário diferente. A consistência do perfil documental frente ao objetivo da viagem é o que sustenta o sucesso.

Além disso, não podemos ignorar o peso do administrative processing (processamento administrativo); mesmo em casos que parecem simples aos olhos do solicitante, essa revisão adicional pode surgir e estender significativamente o tempo de resposta, com muitos casos sendo finalizados em semanas ou até meses após a entrevista. Em um evento com data fixa, esse risco é crítico e exige um planejamento de contingência que poucos preparam.

Inconsistências são o caminho mais curto para o indeferimento. Erros no preenchimento do formulário DS-160, divergências entre as informações fornecidas e o que é dito na entrevista, a ausência de documentação de suporte sólida ou de planejamento adequado do local e momento da entrevista são falhas evitáveis que podem comprometer significativamente oportunidades. Para perfis que demandam vistos mais complexos, como L-1 ou O-1, a atenção deve ser redobrada: petições mal estruturadas ou a tentativa de forçar um enquadramento sem o suporte probatório real levam a pedidos de evidências adicionais (RFE) que podem ser fatais para o cronograma. Mesmo o premium processing não elimina o risco de RFE (Request for Evidence), que pode impactar o cronograma.

A Leao Group entende que a mobilidade internacional não é apenas sobre o desejo de viajar, mas sobre a robustez jurídica que sustenta esse desejo. A expertise necessária para navegar esse ambiente exige uma estratégia madura, onde cada documento, resposta e fundamentação de categoria de visto é meticulosamente revisada antes da exposição ao escrutínio consular. Para quem realmente pretende estar nos EUA em junho, o planejamento estratégico não é um luxo, é o requisito básico para garantir que o seu lugar na Copa seja um fato, não uma dúvida.

*Leonardo Leão, nome de destaque no Direito Imigratório, é CEO da Leao Group e ‘Fundador da imigra’. É Presidente Nacional da ABA – Associação Brasileira de Advogados – e Presidente da Comissão Nacional de Direito Imigratório e Mobilidade Global da OAB do Rio de Janeiro.

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