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IA transforma a saúde na América Latina humanizando o atendimento – por Haniel Cassiano

A saúde na América Latina atravessa um momento decisivo. O envelhecimento da população, onde por anos foi considerada jovem, aliado ao aumento da incidência de doenças crônicas, tem elevado significativamente a demanda por serviços de saúde em toda a região.

Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), a população com mais de 60 anos representará 16% dos habitantes latino-americanos até 2030. Até 2050, serão 25% de pessoas idosas, ou seja, é a região do mundo que envelhece mais depressa, e isso vai pressionar os sistemas que já enfrentam desafios históricos relacionados à escassez de profissionais, às restrições orçamentárias e à infraestrutura limitada.

Ampliar o tempo de cuidado, tornando o atendimento mais qualitativo por parte dos médicos e seus pacientes, é um paradoxo em relação à qualidade da assistência prestada: médicos e demais profissionais acabam dedicando uma parcela considerável de seu tempo em atividades administrativas, como o preenchimento de prontuários, registros clínicos e documentação de consultas.

Uma pesquisa da Medscape, maior plataforma global online de informações médicas e educação continuada para profissionais de saúde, mostra que 65% dos médicos gastam mais de 10 horas semanais com burocracia, chegando a 25 horas semanais em alguns casos. O resultado é a redução do tempo dedicado à interação com o paciente, comprometendo a relação humana, um dos pilares fundamentais da medicina.

É nesse contexto que a Inteligência Artificial (IA) vem se consolidando como uma aliada estratégica da transformação da saúde. Ao contrário do receio de substituir profissionais, a tecnologia demonstra seu valor ao assumir tarefas repetitivas e operacionais, permitindo que médicos e equipes concentrem seus esforços na assertividade clínica, na empatia e no cuidado, habilidades que a máquina não aprende.

Os avanços já deixaram de ser uma realidade restrita a hospitais privados. Um exemplo vem de El Salvador, em que um amplo projeto de modernização do sistema público de saúde incorporou recursos de IA para apoiar processos de documentação clínica. Baseada em processamento de linguagem natural, a IA consegue captar a conversa entre médico e paciente durante a consulta e transformá-la automaticamente em registros estruturados para prontuários eletrônicos, proporcionando uma economia de até 25% do tempo total de atendimento, além da redução entre 60% e 80% dos custos relacionados à documentação clínica.

Além disso, aproximadamente 88% dos pacientes percebem maior atenção por parte dos médicos após a documentação clínica automatizada. Ao reduzir a necessidade de interação constante com computadores e sistemas durante a consulta, a tecnologia devolve ao profissional a capacidade de manter contato visual, praticar a escuta ativa e fortalecer a relação de confiança com quem está sendo atendido.

Outra frente está relacionada ao diagnóstico por imagem. O avanço dos algoritmos de visão computacional permite que sistemas inteligentes analisem tomografias, mamografias, ressonâncias magnéticas e exames radiológicos em poucos segundos, identificando padrões que poderiam passar despercebidos em análises convencionais.

Essas ferramentas já alcançam níveis de especificidade superiores a 99%, atuando como suporte adicional para radiologistas e especialistas. Em casos de acidente vascular cerebral (AVC), por exemplo, a capacidade de detectar sinais de hemorragias ou obstruções em poucos segundos pode acelerar decisões críticas e reduzir significativamente o risco de sequelas. Na oncologia, a IA auxilia na identificação precoce de lesões e nódulos em exames de mama e pulmão, aumentando as chances de tratamentos bem-sucedidos.

Os benefícios da Inteligência Artificial também começam a ser percebidos na gestão dos sistemas de saúde. No Brasil, ferramentas de IA vêm ampliando a capacidade de monitoramento e fiscalização dos recursos públicos destinados ao setor. Segundo o Ministério da Saúde, a tecnologia permitiu multiplicar por dez o volume de verbas acompanhadas pelos órgãos de controle, alcançando cerca de R$ 18 bilhões monitorados em 2025.

As iniciativas demonstram que mesmo países que enfrentam desafios estruturais relacionados a recursos e infraestrutura podem acelerar sua transformação digital quando combinam inovação tecnológica com estratégias adequadas de implementação. Entretanto, para que todo esse potencial seja plenamente aproveitado, é necessário amenizar a fragmentação tecnológica dos sistemas de saúde. Grande parte dos hospitais e redes assistenciais da América Latina opera com plataformas desenvolvidas em momentos distintos, muitas vezes incapazes de compartilhar informações de maneira eficiente.

Por essa razão, o objetivo deve ser conectar tecnologias, integrar dados clínicos e criar ambientes capazes de incorporar novas soluções de IA sem exigir mudanças estruturais complexas ou investimentos proibitivos.

Quanto mais a tecnologia assumir tarefas mecânicas e repetitivas, maior será a capacidade dos profissionais de saúde de dedicar seu tempo ao que realmente importa: ouvir, compreender e cuidar das pessoas.

A SONDA é uma empresa líder no desenvolvimento de serviços tecnológicos sob medida para cada cliente. A companhia busca, gera e integra tecnologias a nível global para oferecer soluções únicas e inovadoras, que aceleram a transformação digital de todos os seus clientes.

Possui faturamento de US$ 1,592 bilhões em 2025 e mais de 13 mil colaboradores. No Brasil, atende 50% das 100 maiores empresas do ranking do Valor Econômico. Com atuação em todo o mundo, tem presença direta na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Equador, Estados Unidos, Canadá, México, Panamá, Peru e Uruguai.

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