A eleição para o Senado costuma receber menos atenção do eleitor do que a disputa presidencial ou para os governos estaduais. É um erro subestimar sua importância. Em 2026, os brasileiros escolherão dois senadores por Estado, em uma eleição que renovará dois terços da Casa. Os eleitos terão mandatos de oito anos e exercerão funções que ultrapassam, em muito, a participação rotineira nas votações do Congresso.
O Senado é uma das duas Casas do Congresso Nacional e exerce, juntamente com a Câmara dos Deputados, as funções de legislar e fiscalizar o Poder Executivo. Também desempenha o papel de Casa revisora: propostas aprovadas em uma das Casas são submetidas à análise da outra, que pode mantê-las, modificá-las ou rejeitá-las. Essa etapa é uma característica essencial do sistema bicameral brasileiro e foi concebida justamente para ampliar o debate e submeter as decisões legislativas a uma segunda apreciação.
As atribuições dos senadores tornam ainda mais relevante a análise cuidadosa dos candidatos. Cabe exclusivamente ao Senado, por exemplo, apreciar indicações para cargos de elevada responsabilidade institucional, como ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, além de diretores do Banco Central e chefes de missão diplomática. A Casa também participa de processos de impeachment e autoriza determinadas operações financeiras de interesse dos entes federativos.
Em São Paulo, os nomes apresentados ao eleitorado têm trajetórias bastante distintas. Temos candidatos com experiência na administração pública, no Legislativo, no Executivo, na iniciativa privada e em diferentes áreas profissionais. Há quem tenha exercido mandatos parlamentares durante anos, quem tenha ocupado cargos no Executivo e quem tenha construído sua carreira predominantemente fora da política.
Não basta conhecer o rosto que aparece na propaganda. É preciso conhecer a biografia política. O eleitor paulista não precisa ser especialista em política. Precisa apenas levar a sério a dimensão do cargo que está ajudando a preencher. Conhecer os candidatos, comparar suas trajetórias, ler suas propostas e acompanhar seus compromissos não é excesso de zelo. É o mínimo que se espera de quem vai decidir quem terá voz, voto e poder dentro de uma das instituições centrais da República.
Em uma democracia representativa, escolher um senador significa delegar a alguém uma parcela importante do poder político por um período longo. Por isso, a decisão não deveria ser tomada apenas com base na exposição eleitoral, em slogans, em alianças partidárias ou na repercussão momentânea de uma campanha.
Cabe, portanto, ao eleitor fazer uma escolha informada. Não se trata de transformar o voto em um julgamento sobre simpatias pessoais, mas de reconhecer a dimensão institucional do cargo e examinar, com atenção, aqueles que pretendem ocupá-lo. Em uma democracia, a qualidade da representação começa antes da posse: começa no cuidado com que cada cidadão decide em quem confiar um mandato de oito anos.












