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A mãozinha de Moraes à Flávio – por Tibério Canuto Queiroz Portela

As próximas pesquisas revelarão o impacto da decisão de Alexandre de Moraes de proibir Flávio Bolsonaro de visitar o pai até o primeiro turno das eleições. Em sua coluna de hoje no Correio Braziliense, Luiz Carlos Azedo avalia que a decisão de Moraes reforça a narrativa de perseguição e acaba favorecendo mais a candidatura da direita bolsonarista do que prejudicando-a. Segundo o jornalista, isso pode influenciar o eleitorado independente, cuja movimentação tende a decidir a disputa. Num cenário em que Lula parece ter atingido seu teto e Flávio interrompeu a trajetória de queda, o peso dessa fatia do eleitorado tornou-se ainda mais decisivo.

Tendo a concordar com Azedo, Moraes adicionou um componente emocional que pode desequilibrar a balança. O apelo de que um ministro do STF está impedindo um filho de visitar o pai preso pode repercutir profundamente. Os brasileiros, de modo geral, são um povo sentimental, de bom coração e com grande disposição para o perdão. Esse fator pode influenciar parte do eleitorado que ainda está em cima do muro. É inegável que Alexandre de Moraes forneceu, mais uma vez, munição para o discurso de que atua movido por perseguição política e interfere indevidamente no processo eleitoral.

A defesa de Bolsonaro, que não é ingênua, já vem sustentando que Moraes acrescentou um novo elemento à pena do ex-presidente: a incomunicabilidade de sua prisão. Outro aspecto que passou a ser explorado politicamente é a assimetria entre as restrições impostas a Bolsonaro e aquelas aplicadas a Lula quando esteve preso em Curitiba.

Pode-se argumentar que são situações distintas. Lula não estava proibido judicialmente de se comunicar; Bolsonaro está. Mas vá explicar essa diferença a um eleitorado cada vez mais desconfiado de que Moraes, em diversas decisões, toma um lado que não seria o da estrita imparcialidade da Justiça. Para muitos eleitores, mico não é elefante.

O fato é que bolsonaristas comemoram o crescimento de Flávio no tracking de sua campanha. Pode ser um movimento sazonal e passageiro. Mas também pode representar uma inflexão mais consistente na direção que o eleitor-pêndulo está tomando.

Quem ainda considera elevadas as chances de Lula vencer a eleição já no primeiro turno faria bem em manter a cautela. Hoje essa hipótese parece mais fruto de torcida do que de uma possibilidade concreta. O que vai se confirmando, até aqui, é a previsão de Renato Meirelles de que, até o dia da votação, o eleitor independente mudará de posição diversas vezes.

Há, contudo, uma certeza: Alexandre de Moraes demonstra uma notável capacidade de, em muitos momentos, agir como cabo eleitoral involuntário de Flávio. Pode até fazê-lo movido pelas melhores intenções. Mas, como diz o velho ditado, de boas intenções o inferno anda cheio.

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