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Corrupto do bem? – por Tiberio Canuto Queiroz Portela

Não me convidem a tomar partido entre o Dark Horse de Flávio Bolsonaro e o escândalo de Lulinha. Nesse campeonato, sou contra os dois. Por que para combater Flávio eu tenho de me fingir de cego e passar o pano em Lulinha? Devo perdoar um lado por que sou contra tudo o que o outro lado faz?

Não!

Quando a Lava Jato chegou a Aécio Neves e outros tucanos estrelados eu os critiquei nas minhas redes sociais, sem tergiversação. Alguns amigos meus do PSDB sentiram-se incomodados sob o argumento de que eu mudava o foco, que eram as maracutaias que envolviam o PT.

À época afirmei que não existia essa de meu corrupto favorito ou o corrupto do bem.

Não vou deixar de votar em Lula por causa da profusão de fatos estampados nos jornais que evidenciam as maracutaias do seu filho. Sei o que está em jogo nessa eleição. E por mais crítica que tenha ao governo de Lula, sei muito bem que a alternativa Flávio é uma tragédia bem pior.

Mas não me peçam para fingir que o mundo não é redondo e que Lulinha não é um corrupto que se aproveitou dos seus laços sanguíneos para se dar bem de forma não republicana que nos anos dourados de nossa vidas sempre combatemos.

O dom de se iludir é livre. Se alguns amigos querem defender o indefensável, lamento muito mas até entendo. Afinal a recusa de enxergar a realidade por cegueira ideológica já levou nossos antepassados de esquerda a fechar os olhos para os crimes de Stalin. A matriz é a mesma de quem fecha os olhos para a corrupção de governos com os quais há identidade ideológica.

Vou trazer para nosso mundo real uma passagem do livro “Nossos Anos Verde Oliva” de Roberto Ampuero onde ele indaga qual categoria mental levava a esquerda a condenar tortura, os assassinatos, a violação dos direitos humanos quando eram praticados por ditaduras de direita mas se calvam quando os mesmos crimes, as mesmas violações aos direitos humanos eram praticados por “ditaduras de esquerda”.

Me aproprio do raciocínio de Ampuero para indagar: que categoria mental, que estranho sentimento de solidariedade, leva parte de nossa esquerda a ser contundente na denúncia da corrupção, da apropriação do erário público, do uso indevido da máquina pública quando cometidos por governos de direita, mas se cala quando as mesmas práticas corrosivas são adotadas por governos de esquerda.

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