Agora vem um deputado em Brasília e apresenta um projeto que mais ou menos pode ser resumido no seguinte: fica a CBF proibida, daqui em diante, de convocar para a Seleção Brasileira jogadores que atuam no exterior (vale o mesmo para membros da Comissão Técnica).
Nada mais sem sentido.
A começar pelo fato de que a CBF é uma entidade privada e não pode ser submetida a normas desse tipo, por mais descalabros que cometa (e a CBF comete descalabros incontáveis).
Poderia um deputado apresentar um projeto estabelecendo um limite para o salário de um CEO de uma empresa como as Lojas Renner, por exemplo? Claro que não. Da mesma forma, não é da competência do Congresso estabelecer que Carlo Ancelotti não poderia ter um salário de 10 milhões de euros (ainda que esse seja um dos descalabros da CBF, e que ele seja um senhor simpático e um técnico competente). Por extensão, não pode uma lei do Congresso estabelecer quem o técnico convoca ou não.
Outra coisa: imagine uma lei como essa sendo aplicada em outros países. A seleção da Inglaterra não poderia chamar Harry Kane (que joga na Alemanha); a Argentina não contaria com Messi (que joga nos EUA); Portugal ficaria sem Cristiano Ronaldo (que joga na Arábia); Mbappé (que joga na Espanha) estaria fora da França; e Haaland (que joga na Inglaterra) desfalcaria a Noruega. Tem país que não teria nem onze jogadores para colocar em campo (Argentina, por exemplo). Até mesmo Vozinha, o ídolo de todos, não poderia integrar Cabo Verde, pois seu último contrato foi com um clube de Portugal.
Seria muito mais útil o senhor deputado (e assim justificaria o gordo salário que recebe, proveniente dos nossos impostos) se pudesse propor um projeto capaz de exigir comprometimento dos jogadores da Seleção Brasileira e que, quando convocados, não estivessem ocupados tão somente com seus brinquinhos de brilhante, suas tatuagens e seus cabelinhos enfeitados.
Como isso não é possível (até porque atenta contra as liberdades individuais), sugiro ao senhor deputado que se ocupe de outros projetos menos bizarros e esdrúxulos do que esse que acabou de apresentar. Na Educação, por exemplo, há uma quantidade infinita de problemas que poderiam receber a sua atenção.
Quando esses problemas estiverem resolvidos, ele descobrirá que já não precisará mais apresentar projetos como esse.
E nós também saberemos escolher melhor os nossos deputados.












