Home / Opinião / Ele assumiu – por Mário Marinho

Ele assumiu – por Mário Marinho

Quem me acompanha aqui, sabe minha posição: eu sempre fiz restrições às atuações do Vini Jr.: sempre o considerei o melhor ponta-esquerda do mundo, mas não o melhor jogador.

Em uma entrevista antes do jogo contra a Escócia, Vini Jr disse:

– O Mister quer que eu jogue pelo meio. Mas eu gosto mesmo é jogar na ponta. Porém, os gols estão saindo em jogadas pelo meio. É lá que eu vou jogar.

E deu no que deu: vitória incontestável do Brasil, 3 a 0, dois gols de Vini – ambos pelo meio. Poriam ter sido três gols, não fosse a anulação do terceiro gol pelo juiz, depois de consultar o VAR.

O comentarista de arbitragem da Globo, o excelente ex-árbitro Paulo César Oliveira, considerou errada a atitude do juiz de jogo.

Aliás, aqui cabe parêntesis: por que a Globo tirou do ar os comentaristas de arbitragem? Fecha parêntesis.

Voltando ao Vini: os dois gols e o terceiro mal anulado nasceram de jogadas pelo meio.

Aqui no meu cantinho, eu sempre contestei o técnico Abel Pereira  por insistir em escalar o Endrick – e depois o Estêvão) na ponta.

Se o jogador é bom, sabe driblar e sabe chutar a gol, ele deve estar ali pelo meio, onde as coisas acontecem.

É também uma birra que eu tenho quando vejo o Neymar cobrando escanteio: lugar de jogador bom é lá na área que os comentaristas antigos (como eu) chamavam de Zona do Agrião.

Por que agrião? Não sei.

Voltando ao jogo, a vitória, repito, foi incontestável.

Interessante o futebol apresentado pelo Brasil.

Foi bonito, mas não arrebatador, encantador.

Mas eficiente.

Abrimos mãos dos dribles, à Garrincha, dos lançamentos, à Gerson, das arrancadas fulminantes de Pelé em direção ao gol adversário.

Ao invés disso, trocamos a bola entre os defensores e o meio campo até que alguém da frente consiga se deslocar e abrir espaço na defesa adversária.

É um jogo de paciência que deu certo.

A Seleção mostrou, pela primeira vez nessa Copa e em outros jogos, amistosos ou não, um time bem treinado e entrosado.

Próximo adversário:

Holanda, Japão e Suécia. Quem será o próximo?

Claro que eu não sei. Mas a minha ordem de preferência é:

  1. Suécia
  2. Holanda
  3. Japão.

A Suécia não é um time da prateleira mais alta do futebol da Europa.

É um time com suas limitações, mas, muita aplicação.

Tem dois atacantes perigosos: Viktor Gyökeres (Arsenal) e Alexander Isak (Liverpool).

Mas de um modo geral é um time que joga e deixa jogar.

A Holanda é mais forte do que a Suécia.

Seus jogadores mais perigosos são: o zagueiro e capitão do time Virgil van Dijk, o meia Frenkie de Jong e tem o artilheiro Memphis DePay, que todos nós conhecemos bem.

Quanto ao De Pay, é torcer para que ele repita suas últimas atuações defendendo o Corinthians, quando não vem fazendo absolutamente nada.

O Japão me assusta porque não me parece uma seleção de jogadores de futebol, mas sim um exército com soldados que entram em campo (de batalha) e cumprem rigorosamente aquilo que foi determinado pelo técnico (comandante).

Ninguém faz nada além do previsto. Mas não deixa de fazer.

Quando é atacado, se fecha com a determinação de guerreiros kamikazes, disputando a bola como se daquilo dependesse sua vida.

E quando ataca, o fazem numa velocidade de corrida de 100 metros numa Olimpíada.

São muito perigosos.

Uma rápida pesquisa aponta como pontos altos da Seleção Japonesa: Takefusa Kubo (meia-atacante do Real Sociedad), Ritsu Doan (camisa 10 e meia do Frankfurt), além da forte dupla de zaga formada por Takehiro Tomiyasu e Ko Itakura.

De todo jeito, não dá para escolher o adversário.

O que aparecer tem que ser batido. Ou volta para casa – o que não queremos.

Mas estou otimista. Sempre com o pé no chão!

E a volta de Neymar?

Gostei muito da atitude do técnico Carlo Ancelotti de colocar Neymar, ainda que apenas por 14-20 minutos.

Acho que o Neymar também deve ter ficado muito contente e até emocionado ao ouvir a torcida brasileira, em peso, gritando seu nome no estádio.

Quanto à sua atuação, foi aquilo que qualquer pessoa normal do futebol esperaria: um jogador que está fora das convocações há três anos e que há um mês não joga uma pelada sequer, não poderia entrar em campo e fazer uma apresentação acima da média.

Mas ele está pronto para entrar no próximo jogo.

Sempre lembrando o que digo e repito aqui: ele é um craque, mas já tem 34 anos e muitas contusões.

Não é um salvador da pátria amada.

Veja os gols da vitória brasileira, em crônica do excelente Pedro Bassan:


FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

Marcado:

Sign Up For Daily Newsletter

Stay updated with our weekly newsletter. Subscribe now to never miss an update!

[mc4wp_form]

Deixe um Comentário