A fala da respeitável Ministra Cármen Lúcia, de que sente vergonha do que acontece no STF e se desculpa com os brasileiros, proferida no dia que o Brasil parou para assistir a marcante Sessão de 15 de setembro de 2026 nos remete a outra frase sua, publicada no jornal O Globo de 07 de outubro de 2017, quando era então presidente da Suprema Corte: “Se o brasileiro soubesse tudo o que sei, seria muito difícil dormir.” Que a somatória dessas verdades acorde a todos nós para a necessidade de mudar urgentemente os critérios de indicação dos Ministros das Cortes Superiores, incluindo os 33 Tribunais de Contas, e que nos atentemos ao Desmonte das Estruturas de Estado que está em curso no Brasil.
A crise do STF interessa, e muito, aos que articulam tal Desmonte. Por quê? Porque alimenta a percepção da sociedade sobre o caos no nosso sistema Judiciário, inclusive a perda da sua legitimidade e autoridade para pacificar conflitos e que se soma à descrença nas instituições como um todo. Se isso já era nítido e crescente pode alcançar perigoso ápice com esses últimos acontecimentos. Nossa Suprema Corte deveria e não pode deixar de ser nosso último Bastião. Uma coisa é corrigirmos as distorções e outra é fazer o Estado perder sua condição de ser, de forma sadia, o Equilíbrio e fiel da balança entre Mercado e Sociedade, para o bem de ambos. Pior é que nem os que atuam por tal desmonte se dão conta de que será prejudicial a eles mesmos ter nossas instituições e sociedade desestruturadas.
Imagine um município qualquer que seja, sua terra Natal por exemplo, em que cada novo prefeito eleito possa substituir todos os servidores da Administração, redes de saúde pública, setores da Segurança, etc, por empresas de terceirização, ONGs e contratação de pessoas que o ajudaram na campanha. Pense no caos administrativo, perda da memória institucional dos setores da Administração Pública e seus reflexos na vida de cada cidadão e do próprio Mercado.
Qual então deve ser nosso foco, no meu humilde entendimento? NÃO…PODEM… SER… INDICAÇÕES…POLÍTICAS !!! Assim mesmo, pausadamente e em letras garrafais, por ser fator determinante.
Tanto no STF e demais cortes Superiores como nos Tribunais de Contas e na Administração Pública. A obediência do Servidor tem de ser à Lei e normas de procedimento e não a caciques políticos. Em termos macro, que nos leve a questionar se não é realmente ensaiada orquestração o desmonte das Estruturas de Estado, ao invés de corrigir suas distorções. De estar em franco crescimento o Patrimonialismo, mistura entre público e privado em que o cargo público vira moeda de troca. Substituição de funções submetidas a concursos públicos por indicações e contratações políticas muitas vezes disfarçadas em contratos de terceirização e ONGs, cujos critérios são muito mais suscetíveis a manipulações e eventuais negociatas.
Muito haveria a ser dito e se dirá sobre o lamentável tema desta curta matéria mas quero, neste momento, reiterar enfaticamente que não podem mesmo ser indicações políticas.
Pensemos e vamos agir a respeito?












