Há muito não víamos a Seleção Brasileira ser tão aplaudida, tão paparicada pela torcida como nesse domingo no Maracanã.
O roteiro só não foi perfeito pela desastrosa cantoria da ótima sambista Alcione com o improvável Belo.
Será de quem foi a triste ideia de juntar os dois numa desastrada dupla que sequer sabia a letra do Hino Nacional e desafinaram o tempo todo?
Gente, deixa o povo cantar o Hino Nacional. É lindo, é emocionante, é arrebatador ouvir o coro que vem da arquibancada, cantando a capela.
Mas tinha que aparecer alguém para inventar uma bobagem como aquela.
Com a bola rolando, o adversário foi na medida: apesar de marcar dois gols, foi um respeitável coadjuvante numa festa brasileiríssima.
No primeiro tempo, o técnico Carlo Ancelotti mandou a campo o que pareceu ser o seu time titular, com a provável escalação do zagueiro Marquinhos e a esperada entrada de Neymar, queira Deus, devidamente recuperado.
Aliás, ele foi muito aplaudido pela torcida carioca que entoou o coro “Neymar! Neymar”.
Além disso, os jogadores adversários até fizerem fila, depois do jogo, para tirar foto ao lado do craque.
Bonita também a atitude dos jogadores que deram volta ao gramado aplaudindo e agradecendo o apoio dos torcedores que não arredavam pé do estádio.
Não me lembro de outra despedida da Seleção, numa preparação para uma Copa do Mundo, tão animada e cheia de fé como a de domingo.
Na última vez que ganhamos a Copa do Mundo, em 2002, o Brasil fez sua despedida no Castelão, em Fortaleza, vencendo a Iugoslávia por 1 a 0, gol do centroavante Luisão.
O time foi este: Rogério Ceni, Lúcio, Roque Júnior, Anderson Polga (Denílson), Cafu, Emerson (Kléberson), Gilberto Silva, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos (Júnior), Edilson (Djalminha), Ronaldo (Luizão).
Nos meses que antecederam a Copa, o Brasil viveu a expectativa da recuperação de gravíssima Ronaldo que rompeu completamente o tendão patelar do joelho direito em um pisão em falso.
Havia até a dúvida se ele voltaria a jogar futebol.
Felipe Scolari, o técnico de então, resistiu a todas as pressões e esperou Ronaldo se recuperar totalmente.
Resultado: fomos pentacampeões e Ronaldo foi o artilheiro da Copa com 8 gols.
Ainda sobre contusões, é bom relembrar que Pelé viajou para a Suécia, em 1958, machucado e só teve condições de entrar em campo no terceiro jogo.
Dizem que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
Porém, como bom mineiro fico desconfiado e pergunto: por que não?
Voltando ao amistoso de domingo, a elástica vitória sobre a frágil Seleção do Panamá, 6 a 2, no segundo tempo Ancelotti faz 10 modificações no time.
Ou seja, quem estava em condições de jogo, jogou.
Neymar, claro, não jogou.
Vamos dar tempo ao tempo.
Veja os melhores momentos do jogo, na narração precisa de Everaldo Marques.

Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.











