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“Inclusão” nas Eleições 2026: como analisar propostas e acompanhar a atuação dos representantes? – por Carla Costa

Como psicopedagoga, acompanho diariamente os desafios envolvidos na construção de práticas educacionais inclusivas. São famílias que buscam atendimento especializado, professores que precisam de formação e suporte, estudantes que necessitam de recursos de acessibilidade e escolas que procuram caminhos para garantir a aprendizagem e a participação de todos. 

A inclusão não depende apenas da dedicação das famílias ou do compromisso dos professores. Ela também depende de políticas públicas, planejamento, financiamento e condições adequadas para que os direitos sejam efetivados.

O período eleitoral também é uma oportunidade para compreender como as decisões tomadas nas urnas podem se relacionar com a vida cotidiana. A inclusão precisa estar presente no debate público não apenas como uma promessa de campanha, mas como um compromisso que possa ser acompanhado por toda a sociedade. 

Quando um candidato apresenta propostas relacionadas à inclusão, vale compreender o que ele pretende realizar e de que maneira. Na educação, por exemplo, é importante conhecer as propostas para a formação continuada de professores, a oferta do Atendimento Educacional Especializado (AEE), a acessibilidade das escolas, a disponibilização de recursos pedagógicos e a organização dos serviços de apoio. 

Além da educação, crianças e adolescentes também precisam ter acesso a serviços de saúde, espaços de lazer, transporte acessível, atividades culturais e oportunidades de convivência. À medida que crescem, surgem outras demandas relacionadas à formação profissional, ao trabalho e à vida independente.

Observar as propostas exige compreender a inclusão como uma responsabilidade que atravessa diferentes áreas da administração pública. Por isso, também é necessário considerar as atribuições de cada cargo e distinguir as responsabilidades de quem propõe e vota leis, participa da definição do orçamento ou administra e executa serviços públicos.

No caso de candidatos que buscam a reeleição, também podemos consultar seu histórico de atuação, considerando as atribuições do cargo que ocupam. É possível verificar se apresentaram ou apoiaram projetos de lei relacionados à inclusão, como votaram em matérias relevantes, se participaram de debates e comissões sobre o tema e, quando aplicável, se destinaram emendas parlamentares a iniciativas voltadas às pessoas com deficiência. Nesse último caso, é importante verificar não apenas o anúncio dos recursos, mas também se foram efetivamente pagos e aplicados.

Essas informações podem ser consultadas em fontes oficiais, como os portais da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das assembleias legislativas e das câmaras municipais, além de sistemas de transparência orçamentária.

O primeiro voto também é uma oportunidade de aprender sobre inclusão. Para os adolescentes que participarão de sua primeira eleição, especialmente aqueles de 16 e 17 anos, para quem o voto é facultativo, esse momento pode representar uma experiência importante de formação cidadã. A escola e a família podem contribuir oferecendo espaços de diálogo, incentivando a consulta a fontes confiáveis e ajudando os jovens a compreender as responsabilidades dos diferentes cargos públicos, sem substituir a autonomia de cada eleitor na formação de sua opinião.

Vale perguntar: quais propostas estão sendo apresentadas para garantir o acesso e a permanência de estudantes com deficiência na escola? Existem iniciativas relacionadas à acessibilidade? Como os candidatos pretendem contribuir para a formação de professores e para a ampliação das oportunidades de participação social?

É importante que os adolescentes tenham espaço para construir suas próprias opiniões, inclusive quando elas forem diferentes das opiniões dos adultos com quem convivem. A formação cidadã também envolve aprender a pesquisar, comparar informações e compreender as consequências das decisões públicas.

A participação da sociedade, entretanto, não termina com a divulgação dos resultados eleitorais. Nos anos seguintes, famílias, educadores e demais cidadãos podem acompanhar a tramitação de projetos, a execução de recursos, o funcionamento dos serviços públicos e a implementação das políticas anunciadas. Esse acompanhamento também permite identificar dificuldades, cobrar informações e participar dos espaços institucionais de discussão e controle social.

A inclusão não pode depender exclusivamente do esforço individual de famílias, professores e profissionais especializados. Ela precisa ser sustentada por ações públicas contínuas, articuladas e acompanhadas pela sociedade.

Que este período eleitoral também seja uma oportunidade para fortalecer a participação cidadã e compreender como as decisões políticas podem impactar os direitos e as condições de desenvolvimento de crianças, adolescentes e adultos.


Créditos - Iaô Espaço de Criação

Carla Costa é pedagoga, psicopedagoga, orientadora educacional e orientadora parental, com mais de 10 anos de experiência no desenvolvimento infantil, aprendizagem e educação inclusiva. Graduada pela UFBA, com MBA em Gestão Escolar pela USP e especializações em psicopedagogia, alfabetização e inclusão, atua no apoio a famílias, escolas e profissionais da educação. 

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